
No dia 10 de janeiro, o Ministério da Saúde soltou uma nova recomendação para o prazo de isolamento de pessoas com casos leves e moderados de Covid-19.
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A Rádio CBN Vale entrevistou nesta quinta-feira (20) o médico infectologista Adelino de Melo Freire Júnior, Diretor Médico da Target Medicina de Precisão, empresa de biologia molecular, voltada principalmente para doenças infecciosas hospitalares, que explicou as mudanças promovidas pelo ministério.
Segundo o médico, o novo prazo permite que pessoas que tiveram covid-19 e que tenham uma evolução benigna dos sintomas em até 5 dias, elas poderiam ser testadas novamente e caso o teste apresente resultado negativo, elas já poderiam sair desse isolamento e voltar às suas atividades com alguns cuidados adicionais, como o uso de máscaras mais reforçadas e evitar aglomerações.
Até então, para esses casos leves, o que estava sendo adotado era a liberação do isolamento após 10 dias e sem a necessidade de novos testes, medida usada no mundo inteiro com muita segurança, segundo o médico.
O que se percebe com essa mudança, é a tentativa de diminuir o impacto do absenteísmo para trazer essas pessoas de volta ao trabalho, com mesmo tempo de afastamento.
Pontos negativos do novo protocolo
Um dos problemas nessa mudança é a necessidade de incluir uma nova testagem nesses cinco dias. Para o Brasil, não é uma boa medida no momento que estamos vivendo, isso porque está havendo falta de testes para covid-19 até mesmo para os pacientes sintomáticos.
De acordo com o médico, o Brasil soltou essa recomendação, acompanhando o movimento implantado em muitos país, entre eles, os Estados Unidos, ainda no final de dezembro de 2021, mas foi uma decisão muito questionada, pois há evidências de que ao final de cinco dias ainda é possível haver transmissão do vírus.
Proposta intermediária
É preciso considerar que tanto no protocolo do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças, dos EUA), quanto no do Ministério da Saúde, existe um modelo intermediário de 7 dias no prazo de isolamento, que traz a seguinte recomendação:
Ao final de sete dias, se não houver sintomas, febre nas últimas 24 horas e sem o uso de antitérmico, o paciente poderia sair do isolamento sem a nova testagem. Existe, no entanto um receio de que ao final desses sete dias, possa haver uma porcentagem pequena de pessoas que ainda poderia transmitir a doença. Mesmo assim, o risco poderia ser assumido em relação aos benefícios de trazer essas pessoas de volta às atividades mais cedo.
Para o médico, será muito improvável eliminar completamente o SARS-CoV-2, o vírus que causa a covid-19, mas com os altos índices de vacinação, com as novas gerações de vacinas trazendo benefícios maiores para diminuir o avanço da doença, serão esses os caminhos mais eficazes para a ciência trilhar, pois quanto maior o número de pessoas vacinadas, menor a chance do vírus circular e a criação de novas variantes.