
Nesta quarta-feira (12), no programa CBN Vale 1ª Edição, o comentarista do quadro CBN Economia, José Joaquim Nascimento, falou sobre o reajuste no preço dos combustíveis anunciado pela Petrobrás na terça-feira (11).
Para o economista, essa mecânica de aumento é um elemento pertubador da economia e que precisa ser bem explicado, já que seguramente deverá alimentar a inflação em 2022.
Que os aumentos nos preços dos combustíveis continuarão a pressionar o setor de transportes e que poderá elevar o valor do frete, também já temos ciência. Basta lembrarmos que os gastos de logística rodoviária com cargas já subiu mais de 25%, segundo dados da NTC & Logística.
O aumento dos custos de transportes de cargas tem diferentes motivos, como a alta nos preços de pneus e peças, por exemplo. Mas é o combustível que eleva o custo do frete de 30% a 60%. É o combustível que está inflando os custos com a logística de transportes no Brasil, e com os aumentos constantes do diesel, poderá ser criada uma memória inflacionária, principalmente, para o setor.
A Petrobrás acaba de aumentar o preço da gasolina e do diesel em, 0,25 e 0,27 centavos respectivamente. Considerando os preços ofertados de 3,09 por litro da gasolina e 3,34 para o diesel, estamos falando de um aumento médio de 8,0%. Em comunicado a Petrobrás esclarece em nota a medida, que transcrevo abaixo:
“Dessa forma, a Petrobras reitera seu compromisso com a prática de preços competitivos e em equilíbrio com o mercado, acompanhando as variações para cima e para baixo, ao mesmo tempo em que evita o repasse imediato para os preços internos, das volatilidades externas e da taxa de câmbio causadas por eventos conjunturais.” fonte: /www.poder360.com.br/
Ao verificarmos os preços médios do Barril do petróleo e o preço médio do dólar em 26/10/2021, data do último aumento de preços e compararmos com os valores do dia 11/01/2022, data do anúncio do reajuste, podemos questionar se os reajustes estão mesmos em função das variabilidades de preços do barril de petróleo no mercado internacional e da taxa de câmbio.
Motivo básico:
O barril do petróleo caiu de USD 85,11 para USD 83,72, portanto não houve aumento. Já a taxa de câmbio era R$ 5,5794 e passou para R$ 5,6345, também não houve aumento substancial para justificar tal reajuste. Não houve aumento nem do barril do petróleo, e podemos dizer também do dólar que se manteve praticamente estável no período.
Então, por que o aumento dos combustíveis em média de 8%, se não houve tal variabilidade das variáveis que estão sendo apontadas pela Petrobrás para aumentar os combustíveis? Os aumentos dos preços são justificados mesmo apenas pelo equilíbrio de mercado?
A gasolina tem alta acumulada de 68,6% e o diesel de 64,7%, considerando a gasolina A e o diesel A. Estes aumentos têm pressionado a inflação a partir dos aumentos dos custos da logística de transportes e, por este e outros motivos, precisam ser melhor explicados.