
Nesta quarta-feira (22), no programa CBN Vale 1ª Edição, o comentarista do quadro CBN Economia, José Joaquim Nascimento, falou sobre o risco de um agravamento da economia nacional em 2022, a partir da continuidade da desarticulação das cadeias de suprimentos mundiais, esperadas com o surto da variante Ômicron, da Covid-19.
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A desarticulação das cadeias produtivas estão afetando as cadeias globais e regionais de suprimentos e, ascendendo uma luz amarela para grandes choques econômicos e sociais em todo os países, sendo os subdesenvolvidos os mais afetados. Tal desarticulação gerada pela pandemia da Covid-19, tem afetado os resultados das atividades econômicas no pós pandemia de todas as nações do mundo.
A cadeia de suprimentos é um conjunto de processos realizados por diversas empresas que fazem parte do ciclo de vida de um produto. Isto quer dizer que o fluxo físico de produtos, como partes, peças e insumos diversos, que se movimentam de uma indústria pra outra, em âmbito mundial, envolvem uma série de atividades em portos, aeroportos, empresas de transportes, terminais de cargas, entre outras. Quando algumas atividades são interrompidas, os reflexos para outras indústrias são inevitáveis.
A paralisação parcial das atividades industriais, mundo afora, afetou o fluxo físico em âmbito mundial e, o resultado foi o encarecimento das operações logísticas internacionais. O aumento dos preços dos fretes, por exemplo, foram direto para os produtos finais e, apareceram para o público em geral na forma de inflação. Isto fez com que todas as economias sofressem choques de oferta e, consequentemente, aumentos dos custos de produção, que infelizmente, tem alimentado aumentos de preços de todos produtos industriais consumidos pelas famílias e empresas.
A eminência de um novo surto da pandemia da Covid-19 com a variante Ômicron acende a luz amarela, porque sinaliza interrupções de atividades nas cadeias produtivas. Para economias de países dependentes de tecnologias, notadamente, da China, que também está sendo afetada, mesmo estando no centro da cadeia global e regional, pode ser uma notícia péssima, pois de alguma forma terá suas indústrias afetadas. A volta de alguma paralisação ou redução de atividades deverá dá continuidade a desarticulação das cadeias produtivas de suprimentos e manter em condição de recessão as economias pouco preparadas para tais eventos, como é o caso do Brasil.
O governo brasileiro têm adotados medidas econômicas, basicamente, na área monetária, como as que assistimos recentemente, pelo Bacen, aumentando a taxa de juros e prometendo mais aumentos na próxima reunião do COPOM. Medidas desta natureza, deve afetar ainda mais os níveis de consumo e de investimento, justamente, em um momento de recessão técnica já consolidada, o que não é bom para ninguém.
O mercado já considera que as medidas restritivas a partir de juros maiores não são suficiente para enfrentar os maiores custos da desarticulação das cadeias produtivas logísticas e, sinalizam desempenho pífio do PIB para 2022. A desarticulação das cadeias logísticas alimentarão os níveis de inflação e, o governo precisam fazer algo a mais, para não piorar o “humor” do mercado.