
Nesta quarta-feira (15), no programa CBN Vale 1ª Edição, o comentarista do quadro CBN Economia, José Joaquim Nascimento, falou sobre o aumento da taxa de juros que pode transformar a recessão técnica em uma catástrofe.
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O economista explicou que quando há o aumento da taxa de juros, acontece o aumento também do dinheiro. Quando se fala no aumento do dinheiro, dificultando o acesso para as pessoas e empresas, em um momento de recessão, com desemprego alto, aumento do custo de produtos, renda em queda e aumento de pobreza, falar de aumento do custo do dinheiro, é algo complicado. É certo que o país em recessão técnica ainda considerar que é preciso reduzir o consumo e o investimento para controlar a inflação é algo curioso e preocupante para os próximos meses.
O País está em recessão técnica porque nos três últimos trimestres o volume de riqueza do País (PIB) não vem crescendo, indicando que o ambiente econômico está com problemas e, não parece razoável uma medida do Governo para piorar ainda mais tais problemas. A alta da taxa de juros piora sim as condições das pessoas (consumidores e produtores), pois terão de reduzir suas atividades no ambiente econômico em que vive.
A alta da taxa de juros é um instrumento de política econômica do Governo, conduzida pelo Banco Central, para levar a uma igualdade a quantidade de produtos gerados no País e a quantidade de dinheiro em poder do público. No jargão dos economistas, o Bacen adotou a política monetária restritiva, ou ainda, recessiva, justamente aqui no Brasil onde a recessão ganha mais expressão e destaques com os números ruins das conjunturas econômicas apresentados por entidades de pesquisas.
No Brasil, o que observamos são números ruins em todos aspectos, seja do lado real da economia, seja do lado monetário. Este instrumento de política monetária representa um custo muito alto para uma economia que está em queda (recessão técnica). Ela vai contribuir com um aumento das mazelas sociais, à medida que vai piorar os níveis de atividades de consumo e investimentos no País. A máquina da economia funciona melhor com mais consumo e não com menos consumo.
A taxa de juros mais elevada é discriminatória, pois tem peso diferente entre os cidadãos de um ambiente. Os juros altos fazem o pobre pagar mais caro do que o rico quando precisa de um financiamento para quaisquer naturezas. A maioria da população não consegue poupar o que não permite que eles ganhem com os juros maiores no mercado financeiro.
Enquanto a quase “profecia” do ministro da economia de crescimento em “V” não acontece e os níveis de produção fica a quem dos níveis de demanda, não é razoável adotar a elevação da taxa de juros como o instrumento mais adequado para estabilizar a economia. Mesmo com mágica não é possível justificar que a política de restrição ao consumo e ao investimento seja a forma acertada de política para fazer a economia se organizar, voltar ao equilíbrio, justo no Brasil de hoje em que a economia mais parece um avião caindo, sem uma das asas, rodopiando. Ela vai aguçar o desequilíbrio, pelo menos no quesito desemprego, pobreza extrema e, aumento fome, que são problemas que envergonham a nação como um todo.
O aumento da taxa de juros pode ser a medida mais sensata para reduzir o ritmo de crescimento econômico, pelo menos, para ciência econômica e, estabilizar uma economia. Mas, para a economia real do Brasil atual, ela parece ser a medida mais insensata, pois não há crescimento econômico no País e reduzir ainda mais, pode ser o sinal de uma medida catastrófica.