Com a pesquisa foi constatada que 60% dos entrevistados já sofrerão ou já presenciariam racismo no ambiente de trabalho.

Indicadores sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2018 apontam que os brasileiros negros e pardos representam 56,10% da população e eles estão na base da pirâmide socioeconômica: piores empregos, piores índices de saúde, piores resultados econômicos, ausência no poder político, entre outras desvantagens.
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Em meio a essa realidade ainda enfrentada pelos negros, Adrielle Silva Fernandes de Matos e Maria Luíza Costa Caetano, alunas do último semestre do curso de Relações Públicas da Universidade de Taubaté (UNITAU) desenvolveram um Trabalho de Graduação (TG) para identificar a presença de atitudes racistas no mercado de trabalho. O projeto, sob a orientação do Prof. Dr. José Felício Goussain Murade, visa elaborar um planejamento de campanha de opinião pública para ações que conscientizem sobre o racismo e sobre a falta de representatividade de pessoas negras no mercado de trabalho do Vale do Paraíba.
Para Adrielle, é importante discutir essa temática porque ainda existe racismo no mercado de trabalho em todo o Brasil. Com a pesquisa foi constatada que 60% dos entrevistados já sofreram ou já presenciariam racismo no ambiente de trabalho.
Dados
A aluna contou que já esperava o resultado da presença do racismo, mas a partir do momento que analisou os dados foi chocante descobrir que muitos profissionais enfrentam racismo no ambiente de trabalho. Em um dos resultados, por exemplo, foi identificado que 88,8% dos entrevistados acreditam que existe racismo no mercado de trabalho no Vale do Paraíba. Além disso, dos entrevistados que trabalham, a maioria (63,7%) informou que nenhuma pessoa negra está em cargo de liderança em seu local de trabalho.
Campanha
Com os objetivos da pesquisa atingidos, Adrielle e Maria Luíza realizaram o planejamento de uma campanha com o intuito de motivar empresas a desenvolverem ações sociais voltadas para prevenção e para o combate ao racismo, além de conscientizar as pessoas negras sobre seus direitos. A meta do projeto é fazer com que 10 empresas adotem a campanha em 3 meses.
Adrielle mencionou que, ao realizar campanhas para públicos internos e externos, o profissional de relações públicas tem a função de colaborar com a conscientização do racismo e aumentar a representatividade de palestras, debates, ações nas empresas e principalmente nas escolas, pois, se uma criança for ensinada a não ser racista desde pequena, a probabilidade de se tornar preconceituosa um dia é muito baixa.
As alunas irão apresentar o trabalho de graduação no próximo mês, em dezembro, para uma banca examinadora composta por professores da área de Relações Públicas.