Presidente do Sindpesp esteve em reunião no Deinter 1, em São José, para falar sobre o déficit de policiais civis no Vale do Paraíba e em todo o Estado.

Nesta terça-feira (16), membros da diretoria e do Departamento Jurídico do Sindpesp (Sindicato dos Policiais do Estado de São Paulo), estiveram em São José dos Campos, em reunião com os delegados do Vale do Paraíba, para ouvir os principais problemas e propor soluções para a Polícia Civil.
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Dados divulgados pela SSP (Secretaria de Segurança Pública) revelaram que as cidades da região possuem grande defasagem no número de policiais. A Delegacia Seccional de Jacareí tem o maior déficit do Deinter 1 (Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior), somente com 61% dos policiais civis previstos atuantes, ou seja, uma defasagem de 59% de agentes. Este déficit está acima da média estadual de 35%.
A Seccional de Jacareí deveria atuar com 202 policiais, mas conta com apenas 124, de acordo com os dados da SSP divulgados neste mês. O número representa somente 61% do total e fica abaixo do índice estadual, que é de 65%.

A presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, Raquel Gallinati, falou na reunião que este déficit acontece por descaso do Governo do Estado.
“É um descaso do governo com a segurança da população do Estado de São Paulo, a partir do momento que não existe estrutura para que possa combater o crime, investigar, proteger a população. Quando não existe uma vontade política em cumprir com suas obrigações, estruturando as instituições que tem as atribuições legais e constitucionais de combater o crime e proteger a população, vemos o descaso direto do governo com a segurança da população”, disse a presidente do sindicato.
Raquel Gallinati ressaltou ainda que nenhuma Seccional do Deinter 1 atua com quadro completo de policiais. É o caso da Seccional de São José dos Campos, que atua com 84% dos policiais, com um déficit de 16%. A Seccional de Cruzeiro, possui o menor déficit da região, de apenas 2%, praticamente com o quadro completo de funcionários, com ocupação de 98%.
Já a Seccional de Taubaté possui 67% dos cargos ocupados, o que acarreta em uma defasagem de 33% de policiais na cidade. Dos 334 cargos previstos, apenas 225 são ocupados, uma falta de 109 policiais para completar o quadro de Taubaté.
Para a presidente do sindicato, a falta dos mais de 15 mil policiais civis em todo o Estado de São Paulo faz com que a criminalidade cresça cada vez mais.
“Vemos que a criminalidade está aterrorizando e subjugando a população, com anuência do governo. Porque quando vemos que o governo não estrutura as suas polícias, deixando um déficit que supera 15 mil policiais, deixando a população a mercê da criminalidade, nós percebemos a responsabilidade direta com o governo e com a impunidade do crime”, falou.
Além da falta de segurança, há a sobrecarga dos policiais, que chegam a realizar a função que deveria ser de quatro a cinco pessoas. Esse déficit acaba prejudicando também a qualidade do serviço de investigação e a segurança pública dos moradores do Vale do Paraíba.
“Nós vemos que não existe um reconhecimento por parte do governo do Estado ao policial. O policial ele acarreta uma sobrecarga desumana de trabalho, exercendo a função de quatro a cinco policiais, muitas vezes colocando de lado seus horários de descanso e lazer ou com seus familiares. Claro que a saúde mental fica debilitada, quando percebemos que há um afastamento muito alto por problemas psiquiátricos tem um problema muito latente das mazelas que o governo impõe a população”, disse Raquel Gallinati.

Ouça a reportagem de Julia Lopes:
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