
Nesta sexta-feira (15), a Coopertêxtil, cooperativa dos antigos trabalhadores da Tecelagem Parahyba, e suas quatro empresas cooperadas tiveram que paralisar suas atividades por conta de uma determinação de interdição do local emitida pela Prefeitura de São José dos Campos.
Segundo a empresa, o encerramento foi uma determinação da Sala do Empreendedor, que alegou que a Coopertêxtil e suas cooperadas estão atuando irregularmente.
Sobre as irregularidades, a Coopertêxtil informou que todas as empresas estão em dia com suas licenças, autorizações e impostos.
A cooperativa alega que a ação da Prefeitura “é mais uma tentativa de atacar a Coopertêxtil que legitimamente reivindica a posse do seu espaço físico comprado pelos cooperados em troca das dívidas trabalhistas devidas pela Antiga Tecelagem aos trabalhadores”.
O fechamento da fábrica aconteceu por volta das 11h. A Prefeitura foi até o local acompanhada da polícia para colocar placas de interdição nas entradas da fábrica. Com isso, os cooperados ficaram sem direito de acessar o local.
As empresas estão tomando as medidas cabíveis para reverter a situação.
Entenda a história

A fábrica que fica em Santana, na região norte da cidade, recebeu um pedido de reintegração de posse pela Prefeitura em agosto deste ano.
A antiga tecelagem foi comprada por trabalhadores em troca das dívidas trabalhistas devidas pela fábrica que faliu. Com isso, os trabalhadores alegam que a tecelagem pertence a eles, porém, a prefeitura não reconhece.
A cooperativa ainda produz cobertores, meias, sofá e material hospitalar e gera 100 empregos diretos e 300 indiretos.
O que diz a Prefeitura
A Prefeitura de São José dos Campos informou que o terreno ocupado é uma área pública, do Governo do Estado de São Paulo, que foi permissionada ao Município de São José dos Campos para uso de interesse público.
Ao longo do processo judicial, foi confirmado por empresas que elas pagariam uma taxa para o responsável pela Coopertêxtil, que não apresentou nenhum documento oficial que comprovasse seus direitos sobre o imóvel.
A prefeitura, portanto, alega desvio de finalidade da cooperativa, “porque ninguém pode usar uma área pública para tirar vantagem pessoal e financeira”.
Todo o processo de desocupação foi feito judicialmente e a cooperativa já teve a oportunidade de apresentar seus argumentos à justiça que determinou a desocupação do imóvel.
A empresa também foi notificada a apresentar os documentos necessários para licença de funcionamento, o que não ocorreu até a manhã desta sexta-feira (15).