Santiago Peña deixa o governo em meio à crise do Ueno Bank, que bloqueou o acesso de milhões de clientes aos depósitos e provocou pedidos de impeachment.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, de 47 anos, aliado político do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio a uma crise bancária que atingiu milhões de pessoas. A saída ocorre após o colapso do Ueno Bank, instituição financeira com a qual Peña manteve vínculos empresariais até 2025. A renúncia foi noticiada pelo próprio Peña em sua rede social, após o aumento da pressão política sobre o governo.
A crise começou com a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, após a identificação de problemas financeiros. O banco possui aproximadamente 3 milhões de clientes e administra cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos. Com a suspensão dos serviços, correntistas ficaram sem acesso ao dinheiro, provocando filas, manifestações e cobranças por uma solução das autoridades.
Pressão política e pedidos de impeachment
A oposição apresentou um pedido de impeachment contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana. Os parlamentares apontaram suspeitas de conflito de interesses e questionaram decisões do governo relacionadas à instituição financeira. Peña havia sido acionista do grupo controlador do Ueno Bank até março de 2025. O presidente do Senado, Basilio Núñez, também passou a defender sua saída ou a abertura de um processo de destituição.
Governo anunciou medidas para devolver depósitos
Antes da notícia sobre sua renúncia, Peña havia solicitado a saída do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo. O governo também anunciou medidas para utilizar recursos de um fundo de garantia e iniciar a devolução do dinheiro aos clientes prejudicados. O Ministério Público abriu investigação sobre a crise e determinou a prisão de oito pessoas ligadas ao banco.
A crise bancária também atingiu recursos da Previdência Social paraguaia e provocou questionamentos sobre a fiscalização do sistema financeiro. O Banco Central afirmou que os problemas do Ueno Bank eram específicos da instituição e não representavam uma crise generalizada no setor bancário do país.