
O custo da cesta básica familiar no Vale do Paraíba voltou a subir em outubro e chegou a R$ 2.994,93, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (3) pelo Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais (Nupes) da Universidade de Taubaté (UNITAU). A alta de 1,63% representa um aumento de R$ 47,91 em relação a setembro.
Este foi o segundo mês consecutivo de aumento dos preços na região. Em setembro, a cesta já havia registrado alta de 2,18%, após duas quedas seguidas em julho e agosto.
Com os resultados dos últimos dois meses, o custo da cesta acumulou um aumento de R$ 110,78. O valor supera a redução de R$ 106,37 registrada durante julho e agosto, quando as famílias tiveram um alívio nas despesas.
Alimentos puxam aumento da cesta básica
O grupo alimentação foi o principal responsável pela alta de outubro. Segundo o Nupes, os alimentos ficaram 1,78% mais caros e contribuíram com R$ 47,39 do aumento total da cesta.
Os produtos de limpeza doméstica também apresentaram elevação, de 0,28%. Já os itens de higiene pessoal registraram alta de 0,09%.
Entre os fatores que influenciaram os preços estão as chuvas acima da média no Sudeste, que prejudicaram a colheita de hortaliças e reduziram a oferta de alguns produtos.
Além disso, a menor disponibilidade de animais para abate contribuiu para a valorização da carne bovina.
Cebola, tomate e mamão tiveram as maiores altas
A cebola liderou os aumentos de outubro, com alta de 20,54%. Em seguida aparecem o tomate, que subiu 17,50%, e o mamão formosa, com elevação de 15,02%.
As chuvas frequentes dificultaram a colheita e afetaram a qualidade de produtos como cebola, tomate e alface. Com menor oferta nos mercados, os preços aumentaram.
As carnes bovinas também pesaram no orçamento. O contrafilé ficou 6,93% mais caro, enquanto a alcatra registrou alta de 6,74%.
Por outro lado, alguns alimentos apresentaram queda. A cenoura ficou 17,21% mais barata, seguida pela abobrinha, com redução de 6,72%, e pelo alho, que caiu 6,30%.
Campos do Jordão tem a cesta mais cara da região
As quatro cidades pesquisadas pelo Nupes registraram aumento no custo da cesta básica em outubro.
Caçapava apresentou a maior variação percentual, de 2,05%. Já Taubaté teve a menor alta, de 1,39%.
Confira os valores:
| Município | Valor da cesta | Variação |
|---|---|---|
| Campos do Jordão | R$ 3.185,56 | +1,60% |
| Caçapava | R$ 2.949,35 | +2,05% |
| São José dos Campos | R$ 2.940,51 | +1,46% |
| Taubaté | R$ 2.904,31 | +1,39% |
Campos do Jordão continua com a cesta mais cara entre os municípios pesquisados. O valor supera em R$ 281,25 o registrado em Taubaté, que apresentou o menor custo.
Segundo os pesquisadores, a diferença está relacionada a fatores como transporte, abastecimento e concorrência comercial.
Em Campos do Jordão, os custos logísticos contribuem para encarecer os produtos. Já Taubaté conta com maior concorrência e condições de distribuição que ajudam a reduzir os preços.
Cesta básica compromete quase 37% da renda familiar
O aumento dos preços também afetou o poder de compra das famílias do Vale do Paraíba.
Considerando uma renda familiar de cinco salários mínimos, equivalente a R$ 8.105, a cesta básica passou a consumir, em média, 36,95% do orçamento em outubro.
Em setembro, esse percentual era de 36,36%.
Campos do Jordão apresentou o maior comprometimento da renda, de 39,30%. Em Taubaté, o percentual ficou em 35,83%.
Na comparação com outubro de 2025, o custo da cesta básica familiar aumentou 5,59% na região. Isso representa uma despesa adicional de R$ 158,47 em 12 meses.
Como é feita a pesquisa
O Nupes realiza o levantamento mensalmente desde 1996. A pesquisa acompanha os preços de 44 produtos de alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica.
A cesta considera as necessidades de uma família formada por cinco pessoas.
Os pesquisadores coletam os preços a cada 15 dias em 16 supermercados de São José dos Campos, Taubaté, Caçapava e Campos do Jordão.
O Nupes é vinculado ao Departamento de Comunicação e Negócios e à Pró-reitoria de Extensão da Universidade de Taubaté.