
O arcebispo de Aparecida, Dom Mário Antônio da Silva, afirmou nesta segunda-feira (12), no Santuário Nacional, que não teme que Nossa Senhora Aparecida perca sua importância para os brasileiros. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa após a missa solene da Festa da Padroeira, na qual o religioso pediu paz e criticou divisões, preconceitos e confrontos.
“Não tenho nenhum temor de que Maria deixará de ter a importância que tem na vida do povo brasileiro”, afirmou o arcebisto.
Polêmica sobre o título de Padroeira
O arcebispo foi questionado sobre a polêmica eleitoral envolvendo informações falsas que atribuíam ao senador Flávio Bolsonaro (PL) uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O senador negou qualquer projeto nesse sentido.
Dom Mário reconheceu a existência de movimentações políticas favoráveis e contrárias ao título, mas ressaltou que cabe à Igreja preservar a devoção popular.
“Mas isso não nos aterroriza, não nos amedronta, porque o que é que nos cabe? Preservar e cultivar na piedade popular, com respeito ao nosso povo, essa devoção tão secular”, declarou.
O religioso evitou fazer previsões sobre o cenário após o segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. Também defendeu o diálogo entre diferentes crenças e a continuidade do acolhimento aos fiéis.
Pedido de paz e reconciliação
Mais cedo, durante a missa solene das 9h, dom Mário defendeu uma “paz desarmada e desarmante”, em referência à mensagem do papa Leão XIV. Na homilia, afirmou que os fiéis devem construir pontes e promover a reconciliação.
“O Evangelho, queridos irmãos e irmãs, não nos autoriza a odiar quem pensa diferente e nem a matar os inimigos”, disse.
A celebração reuniu milhares de fiéis e marcou a primeira participação de dom Mário na Festa da Padroeira como arcebispo de Aparecida. Ele assumiu o cargo em 2 de maio de 2026, após a aposentadoria de dom Orlando Brandes.
Autoridades e programação
Entre as autoridades presentes estavam o vice-presidente Geraldo Alckmin, a deputada federal Tabata Amaral, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o político João Campos e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
A programação da Festa da Padroeira inclui sete missas ao longo do dia, além da consagração solene na Basílica Histórica e de uma procissão à noite.
