
A maioria dos deputados e senadores eleitos para o Congresso Nacional em 2026 apresenta baixa ou muito baixa convergência com a agenda ambiental, segundo análise do Observatório do Clima. O levantamento considera os resultados do primeiro turno. As informações estão na coluna da jornalista Miriam Leitão, do Jornal OGlobo.
De acordo com o estudo, 68,9% dos parlamentares eleitos estão nas duas faixas mais baixas do índice de convergência ambiental. A entidade utiliza o indicador para comparar a atuação e os votos dos congressistas com propostas relacionadas ao clima e ao meio ambiente.
No Senado, 64 dos 81 parlamentares eleitos, o equivalente a 79%, aparecem nas faixas de baixa ou muito baixa convergência. Na Câmara, são 345 dos 513 deputados, ou 67,3%.
Como funciona o índice
O levantamento divide os parlamentares em 4 faixas. A classificação considera o percentual de alinhamento com a agenda ambiental: muito baixa, de 0% a 25%; baixa, de 26% a 50%; boa, de 51% a 69%; e muito boa, de 70% a 100%.
Segundo a análise, o resultado representa uma mudança em relação à composição atual do Congresso. No Senado, a parcela de parlamentares nas faixas baixa ou muito baixa passa de 71,6% para 79%. Na Câmara, sobe de 63% para 67,3%.
Avaliação do Observatório do Clima
Em declaração reproduzida na análise, a coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, afirmou que o cenário deve aumentar a pressão sobre organizações e grupos que atuam na área ambiental.
A avaliação também aponta preocupação com possíveis mudanças nas políticas de clima e meio ambiente durante a próxima legislatura. O Congresso eleito assume em 2027 e terá mandato de 4 anos.
A análise, portanto, mede a convergência dos parlamentares com uma determinada agenda ambiental, a partir de seus votos e posicionamentos. O índice não significa que todos os parlamentares classificados nas faixas baixa ou muito baixa tenham a mesma posição sobre cada tema ambiental.
