
Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça bateram boca durante uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que discute se Moraes poderá ser alvo de investigação. O confronto começou depois que Mendonça afirmou haver uma suposta “PF paralela” responsável por investigar ministros da Corte. Moraes reagiu e questionou: “Quem tem medo da Polícia Federal?”.
Durante a discussão, Moraes afirmou ter testemunhas que poderiam confirmar acusações contra Mendonça relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master. O ministro disse que poderia apresentar policiais, advogados e outras testemunhas. Mendonça, por sua vez, afirmou que Moraes estava mentindo. O embate aumentou a tensão durante a sessão.
Moraes também acusou Mendonça de estar “a serviço de um grupo político” que, segundo ele, tentou dar um golpe no país. O ministro afirmou ainda que os processos envolvendo os dois magistrados teriam conexões e deveriam ser analisados em conjunto. Mendonça declarou anteriormente que passou a ser monitorado por integrantes da Polícia Federal depois de assumir casos relacionados ao Banco Master e às investigações sobre o INSS.

A sessão também teve um desentendimento entre Flávio Dino e o presidente do STF, Edson Fachin. Dino pediu a palavra durante a fala de outro ministro, mas Fachin lembrou que, pelo regimento interno, os pedidos devem ser feitos à presidência da Corte. Depois da discussão, Dino voltou a pedir a palavra de forma irônica durante a fala de Gilmar Mendes. Fachin concedeu o pedido, e Dino afirmou que a ironia serviria para deixar o ambiente mais tranquilo. Gilmar, então, defendeu Dino e afirmou que quem concede o aparte é o ministro que está com a palavra.
Além disso, os ministros Nunes Marques e Dias Toffoli declararam impedimento no julgamento que pode abrir uma investigação contra Moraes. A Polícia Federal aponta que Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, teria se encontrado oito vezes com Moraes e pedido ajuda para conter ações contra a instituição. Nunes Marques também negou ter trocado mensagens com Vorcaro ou que seu filho, Kevin de Carvalho Marques, tenha mantido esse tipo de contato.

Nunes Marques afirmou que decidiu não participar da votação por receio de que o caso pudesse atingir processos eleitorais. Reportagens recentes também apontaram uma relação entre Kevin e Vorcaro e mencionaram um suposto pagamento de R$ 500 mil. Nunes Marques negou envolvimento e afirmou que preferiu se declarar suspeito para não participar da análise do caso.
