Moraes acusa Mendonça de servir a grupo que tentou dar golpe

Fotos: Alejandro Zambrana, Rosinei Coutinho/STF

Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça bateram boca durante uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que discute se Moraes poderá ser alvo de investigação. O confronto começou depois que Mendonça afirmou haver uma suposta “PF paralela” responsável por investigar ministros da Corte. Moraes reagiu e questionou: “Quem tem medo da Polícia Federal?”.

Durante a discussão, Moraes afirmou ter testemunhas que poderiam confirmar acusações contra Mendonça relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master. O ministro disse que poderia apresentar policiais, advogados e outras testemunhas. Mendonça, por sua vez, afirmou que Moraes estava mentindo. O embate aumentou a tensão durante a sessão.

Moraes também acusou Mendonça de estar “a serviço de um grupo político” que, segundo ele, tentou dar um golpe no país. O ministro afirmou ainda que os processos envolvendo os dois magistrados teriam conexões e deveriam ser analisados em conjunto. Mendonça declarou anteriormente que passou a ser monitorado por integrantes da Polícia Federal depois de assumir casos relacionados ao Banco Master e às investigações sobre o INSS.

Fotos: Rosinei Coutinho | Alejandro Zambrana/STF

A sessão também teve um desentendimento entre Flávio Dino e o presidente do STF, Edson Fachin. Dino pediu a palavra durante a fala de outro ministro, mas Fachin lembrou que, pelo regimento interno, os pedidos devem ser feitos à presidência da Corte. Depois da discussão, Dino voltou a pedir a palavra de forma irônica durante a fala de Gilmar Mendes. Fachin concedeu o pedido, e Dino afirmou que a ironia serviria para deixar o ambiente mais tranquilo. Gilmar, então, defendeu Dino e afirmou que quem concede o aparte é o ministro que está com a palavra.

Além disso, os ministros Nunes Marques e Dias Toffoli declararam impedimento no julgamento que pode abrir uma investigação contra Moraes. A Polícia Federal aponta que Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, teria se encontrado oito vezes com Moraes e pedido ajuda para conter ações contra a instituição. Nunes Marques também negou ter trocado mensagens com Vorcaro ou que seu filho, Kevin de Carvalho Marques, tenha mantido esse tipo de contato.

Foto: Alejandro Zambrana/STF

Nunes Marques afirmou que decidiu não participar da votação por receio de que o caso pudesse atingir processos eleitorais. Reportagens recentes também apontaram uma relação entre Kevin e Vorcaro e mencionaram um suposto pagamento de R$ 500 mil. Nunes Marques negou envolvimento e afirmou que preferiu se declarar suspeito para não participar da análise do caso.