
A Justiça condenou dois homens pelo latrocínio do motorista de aplicativo Carlos Eduardo de Faria César, de 23 anos, em Jacareí, no interior de São Paulo, nesta quinta-feira (3/9). A decisão também analisou a participação de um terceiro acusado, que acabou absolvido da acusação de latrocínio, mas recebeu condenação por receptação.
Jonathan Eduardo Sousa Goulart recebeu 30 anos de prisão, enquanto Clayton Luiz Moreira Junior foi condenado a 22 anos e 11 meses de reclusão. Os dois deverão cumprir as penas inicialmente em regime fechado.
Segundo a sentença, os acusados abordaram Carlos durante uma corrida em São José dos Campos, levaram o motorista até uma área de mata em Jacareí e roubaram o carro, o celular e dinheiro da vítima.
Decisão da Justiça
Ao analisar o caso, a juíza Fernanda Ambrogi, da 2ª Vara Criminal de Jacareí, afirmou que os autores mataram Carlos para “impedir a identificação posterior dos agentes e assegurar a impunidade do roubo”. Para a magistrada, essa circunstância “revela especial perversidade e maior reprovabilidade”.
Jonathan e Clayton já estavam presos desde o período do crime. Em abril deste ano, inclusive, a Justiça manteve a prisão preventiva dos dois, pois, segundo a decisão daquele momento, não havia mudança no processo que justificasse a soltura.
As defesas, por sua vez, informaram que vão recorrer. A defesa de Clayton afirmou que discorda da condenação e pretende questionar elementos das provas. Já os advogados de Jonathan disseram que recorrem da decisão e sustentam que ele não participou do crime.
Terceiro acusado
Juan Pedro da Fonseca Marcondes não foi condenado pelo latrocínio. A Justiça entendeu que as provas não demonstraram que ele conhecia previamente o plano para roubar e matar Carlos. No entanto, a juíza concluiu que ele tinha conhecimento da origem ilícita do dinheiro que recebeu e, por isso, o condenou por receptação dolosa.
A sentença fixou a pena de Juan em um ano de prisão e dez dias-multa, mas substituiu a reclusão por prestação de serviços à comunidade. Como a condenação ocorreu em regime inicial aberto, ele poderá recorrer em liberdade.
Relembre o caso
Carlos desapareceu em setembro de 2025 depois de sair de casa para trabalhar como motorista de aplicativo. Durante as buscas, a polícia encontrou o veículo em São José dos Campos e, posteriormente, localizou o corpo em uma área de mata no bairro Pagador de Andrade, em Jacareí, no dia 7 de setembro.
A investigação avançou, então, a partir de uma movimentação bancária. A polícia identificou uma transferência de R$ 665,76 da conta de Carlos para a conta de Juan. Segundo o processo, Juan sacou cerca de R$ 600, entregou parte do valor a Jonathan e ficou com o restante.
Além disso, os investigadores reuniram imagens de monitoramento, registros de deslocamento e provas periciais. Clayton acabou preso em uma adega no Bosque dos Eucaliptos, em São José dos Campos.
Segundo o boletim de ocorrência, ele admitiu participação no crime. Jonathan, por sua vez, se apresentou à polícia dois dias depois, quando a Justiça já havia expedido um mandado de prisão contra ele.
