Polícia Civil prende segundo suspeito pela morte de cozinheira em Ubatuba

Berenice Ramos de Aguiar, de Ubatuba. Foto: Arquivo Pessoal

A Polícia Civil de São Paulo prendeu, na noite desta segunda-feira (3), o segundo investigado pela morte da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar Faria, de 60 anos. A vítima desapareceu em 30 de junho, em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo, e teve o corpo encontrado 15 dias depois em uma área de mata de difícil acesso, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro (RJ).

O preso é Irimar Castilho, de 55 anos, policial militar da reserva. O mandado de prisão preventiva foi cumprido por equipes da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), da Delegacia Seccional de São Sebastião, em uma residência no bairro Estaleiro, em Ubatuba.

Após os procedimentos de polícia judiciária, Irimar Castilho foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista, onde permanecerá à disposição da Justiça por ser policial militar da reserva.

Investigação

Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a prisão é resultado de mais de um mês de investigações, que reuniram provas técnicas, periciais e testemunhais para esclarecer o homicídio.

De acordo com a SSP, o inquérito contou com análise de imagens de câmeras de monitoramento, rastreamento de veículos, perícias criminais, extração de dados de celulares, depoimentos de testemunhas e diligências realizadas nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Ainda segundo a investigação, esse conjunto de provas permitiu reconstituir a dinâmica do crime, identificar a participação dos envolvidos e fundamentar os pedidos de prisão preventiva.

Durante as perícias, foram encontrados vestígios de sangue humano em veículos analisados, além de outros elementos considerados compatíveis com a versão apurada pela Polícia Civil.

Ex-patroa é apontada como autora dos disparos

Com a nova prisão, já são dois suspeitos presos preventivamente pelo caso. A empresária Eliane Alves dos Santos, ex-patroa de Berenice, está presa desde julho e, segundo a Polícia Civil, é apontada como autora dos disparos que mataram a cozinheira.

Por outro lado, o sobrinho da empresária, de 31 anos, permanece foragido. Conforme a SSP, ele é investigado por participação direta na execução do homicídio e na ocultação do cadáver.

Crime teria sido motivado por disputa trabalhista

As investigações apontam que Berenice trabalhava havia cerca de quatro meses para a empresária em uma propriedade rural no bairro Ubatumirim, em Ubatuba. Segundo a Polícia Civil, o homicídio teria sido motivado por divergências relacionadas ao pagamento de verbas trabalhistas.

Conforme os elementos reunidos no inquérito, a cozinheira foi morta no mesmo dia em que desapareceu, em 30 de junho. A investigação indica que ela foi colocada em uma caminhonete sob o pretexto de ser levada ao hospital, momento em que ocorreu o assassinato.

Após o crime, o corpo teria sido transportado até Angra dos Reis, onde foi abandonado em uma área de mata e localizado durante as buscas.

Polícia aponta tentativa de ocultar provas

Ainda de acordo com a SSP, os investigados teriam adotado medidas para dificultar a investigação, como a realização de reparos no veículo utilizado no crime, descarte e substituição de aparelhos celulares, exclusão de dados eletrônicos e alterações em vestígios. Segundo a Polícia Civil, essas ações reforçaram a necessidade das prisões preventivas decretadas pela Justiça.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam. A responsabilidade criminal dos investigados será definida ao longo do processo judicial, assegurados o contraditório e a ampla defesa.