
A Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo começou a operar nesta sexta-feira (3) com apenas seis das 15 estações previstas no projeto. Além disso, o sistema funciona em horário reduzido, das 10h às 15h, em dias úteis, com intervalos estimados de 13 minutos.
Os passageiros já podem utilizar as estações João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Sesc-Pompeia e Perdizes. No entanto, parte da estrutura segue inacabada, o que aumentou os questionamentos sobre a decisão do governo estadual de antecipar a inauguração.
Passageiros ainda enfrentam limitações
Na estação Santa Marina, que recebeu a cerimônia oficial de inauguração, as bilheterias continuam em construção. Atualmente, apenas uma placa indica o local onde a área de venda de passagens deverá funcionar no futuro.
Já na estação Água Branca, a ligação com a Linha 7-Rubi permanece pendente. Por isso, quem precisar fazer integração deve sair da estação, atravessar a rua e acessar novamente o sistema ferroviário. Além do percurso improvisado, o usuário precisa pagar uma nova tarifa.
Segundo especialistas em mobilidade urbana, integrações incompletas diminuem a eficiência da rede. Além disso, podem aumentar o tempo de deslocamento e gerar gastos extras para os passageiros.
Antecipação gera questionamentos
O primeiro trecho da Linha 6-Laranja tinha previsão de entrega para outubro. Entretanto, o governo estadual e a concessionária responsável decidiram antecipar a abertura da operação. A mudança permite que a inauguração ocorra antes do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral para participação de candidatos em eventos públicos.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) reconheceu que a situação está longe do modelo definitivo. Segundo ele, novas intervenções de engenharia serão necessárias para concluir a conexão entre as linhas. Apesar disso, o governo ainda não informou quando finalizará as obras restantes.
Tarcísio também rebateu as críticas de que a inauguração da Linha 6-Laranja teria sido antecipada em razão do calendário eleitoral. De acordo com o governador, o Brasil “talvez seja o único país do mundo em que o pessoal critica quando a gente antecipa”.
Embora o governo defenda que a abertura antecipada representa economia e benefício imediato aos passageiros, críticos apontam que a decisão priorizou a entrega simbólica de uma obra ainda incompleta. Para especialistas em mobilidade urbana, inaugurações parciais podem reduzir a eficiência do sistema, gerar custos adicionais aos usuários e comprometer a qualidade do serviço prometido à população.

