Barbárie em Potim: presos cortam pescoço, arrancam órgãos e queimam corpos em motimrebelião de presos

Barbárie em Potim: presos cortam pescoço, arrancam órgãos e queimam corpos em motim
Foto: Divulgação / Polícia Civil

Um motim de presos na Penitenciária I de Potim transformou o Pavilhão 5 em um cenário de horror com assassinatos brutais e mutilações. A rebelião começou no sábado (20), por volta das 11h30. O tumulto iniciou após agentes barrarem duas mulheres que tentavam entrar na visita com imagens suspeitas apontadas pelo scanner corporal. De acordo com a polícia, dois detentos  identificados como “Batata”, de 45 anos, e “Proibido”, de 26 anos, lideraram a revolta.

Inconformados com o veto das companheiras, os chefes do pavilhão usaram armas artesanais para ameaçar funcionários e iniciar o quebra-quebra. O grupo criminoso fez barricadas com colchões e grades amarradas para impedir qualquer socorro. Além disso, os amotinados prenderam 14 mulheres e 1 criança no pátio. Os criminosos ameaçavam matar um preso a cada tempo estipulado se a direção não liberasse as visitas barradas.

Foto: Divulgação / Polícia Civil

Sessão de tortura, evisceração e fogo

Durante a crise, os detentos renderam, amarraram e torturaram cinco rivais em frente aos negociadores da polícia. Gustavo Santos Lima Lourenço, de 25 anos, e Carlos Matheus Alves da Silva, de 41 anos, morreram após sofrerem espancamentos e dezenas de estocadas. De acordo com as investigações, os assassinos cortaram o pescoço de uma das vítimas com uma navalha. Em seguida, os agressores arrancaram os órgãos internos dos mortos, arrastaram os corpos pelo pátio e atearam fogo em um dos cadáveres.

Os criminosos também tentaram pendurar os corpos mutilados na tela de proteção da unidade prisional. Outros quatro detentos, com idades entre 29 e 47 anos, sofreram ferimentos graves na nuca e nas costas por golpes de espetos de ferro. A polícia informou que eles se salvaram apenas por causa da intervenção das equipes de negociação.

Rendição na madrugada e flagrante

O motim de presos terminou no domingo (21), por volta das 6h da manhã. A rendição ocorreu após 18 horas de negociações conduzidas pela Polícia Penal e pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate). Os envolvidos liberaram todos os familiares sem ferimentos físicos. Um dos líderes alegou em depoimento que a situação fugiu do controle após o início do tumulto.

A Polícia Civil autuou nove detentos em flagrante na própria penitenciária por razões de segurança. Os acusados responderão por motim de presos, homicídio qualificado por motivo torpe e meio cruel, tentativa de homicídio e sequestro. O delegado do caso já pediu a conversão das prisões em preventivas para garantir a ordem pública. Os peritos criminais recolheram vergalhões, pedaços de chapas metálicas e fragmentos de espelhos usados como armas no massacre.

O que diz a SAP

A reportagem da CBN Vale entrou em contato com a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) para obter mais informações sobre o motim.

Em nota, o órgão se solidarizou com as famílias que estavam no pavilhão durante a ocorrência e disse que e presta apoio aos familiares. A SAP acrescentou que os envolvidos foram transferidos e responderão judicialmente, além de destacar a realização de revista geral na unidade com apoio do GIR e da Polícia Militar.

“Nota:
A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informa que a ocorrência em que um detento fez outro de refém na Penitenciária I de Potim foi encerrada por volta das 6h deste domingo (21), após negociação conduzida pela Polícia Penal e pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar. Os dois presos envolvidos se entregaram aos policiais penais.
As visitantes que permaneciam no local foram liberadas em segurança e sem ferimentos. A SAP se solidariza e presta apoio às famílias que estavam no pavilhão durante a ocorrência.
Durante as negociações neste sábado (20), foram registrados atos de violência entre os próprios presos, que resultaram na morte de dois detentos e deixaram outros quatro feridos. Todos receberam atendimento na enfermaria da unidade. Os envolvidos foram transferidos para outras unidades prisionais e responderão judicialmente pelos atos praticados.
Ontem a penitenciária passou por uma revista geral realizada pelo Grupo de Intervenção Rápida (GIR), com apoio da Polícia Militar na área externa da unidade.”