
Os reflexos da pandemia da Covid-19 na saúde mental trazem desdobramentos importantes que vêm sendo apontados em diversos estudos no país e no mundo. Uma pesquisa recente divulgada pela Fiocruz revela que 34% dos fumantes brasileiros aumentaram a quantidade de cigarros consumidos neste período.
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O cenário é preocupante em vários aspectos da saúde geral: além de todos os riscos que o cigarro traz para a saúde física, sendo um fator agravante para inúmeras doenças, incluindo a Covid-19, o aumento de seu uso tem relação direta com o comprometimento da saúde mental dos fumantes.
A cirurgiã de cabeça e pescoço do Hospital São Camilo Oncologia, Dra. Beatriz Cavalheiro, especifica que os dados são relativos ao ano passado e que a quantidade pode ter aumentado ainda mais em 2021. (ouça a reportagem ao final do texto)
O estudo indica ainda que os tabagistas entrevistados também apresentam deterioração da qualidade do sono e alegam ter agravados os sintomas de tristeza, irritação e sentimento de solidão, que podem ser intensificados durante o isolamento social. Tais condições podem interferir diretamente no processo de largar o hábito de fumar, criando uma bola de neve.
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil conta com 22 milhões de fumantes. Estima-se, ainda, que mais de 157 mil pessoas morrem todos os anos por doenças associadas ao tabagismo.
Dra. Beatriz Cavalheiro alerta que não é somente o câncer de pulmão que está diretamente associado à exposição ao cigarro. Mais de 90% dos portadores dos cânceres de cavidade oral, incluindo a língua, garganta e esôfago são ou foram expostos ao tabagismo, com potencialização do risco de seu desenvolvimento à associação do consumo de bebidas alcóolicas em quantidades excessivas.
Por causa das restrições durante o período, muitos deixaram de procurar o diagnóstico ou tratamento para doenças, podendo elevar ainda mais a gravidade. A médica explica que não só doenças originadas pelo tabaco, mas também outras que podem levar até a morte. A recomendação é que as pessoas procurem tratamento o quanto antes.
O hábito de fumar também se relaciona com o envelhecimento precoce da pele, o acometimento da saúde dos dentes, o surgimento de mau hálito, o espessamento das pregas vocais com consequente rouquidão e potencialização dos sintomas de refluxo, entre outros.
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