
O CEO do EC Taubaté, Guilherme Lipi, afirmou em entrevista ao programa CBN Vale Esportes, nesta terça-feira (2), que o projeto de transformação do clube em SAF ainda está em fase inicial e depende de uma série de etapas antes de chegar à votação dos associados.
Segundo ele, a prioridade neste momento é realizar um diagnóstico completo da situação do clube, abrangendo os setores financeiro, jurídico e patrimonial, com o objetivo de oferecer maior segurança aos futuros investidores.
O primeiro passo consiste em mapear toda a dívida do clube, que, segundo estimativas, pode estar na casa dos R$ 10 milhões. Paralelamente, a gestão trabalha em um processo de avaliação patrimonial e financeira para determinar o valor real do EC Taubaté. Além disso, o estudo deverá considerar outros fatores como, receitas atuais e patrimônio imobiliário.
“A gente precisa primeiro saber qual é o tamanho real do clube, chegar a um consenso sobre quanto ele vale, encontrar os parceiros corretos para fazer esse investimento e se tornarem parceiros da nossa associação”, afirmou Lipi.
Patrimônio
Um dos diferenciais do clube é o patrimônio imobiliário, formado pelo estádio Joaquinzão e pela sede social, ambos localizados no Jardim das Nações, área nobre de Taubaté. Segundo o CEO, esses ativos representam uma garantia importante para a instituição e também um atrativo para potenciais investidores interessados em participar de um futuro projeto de SAF.
“O Taubaté tem um ativo imobiliário relativamente grande e considerável que, de certa forma, consegue dar uma garantia para o clube. Então, acredito que esse patrimônio seja muito interessante também para uma futura SAF.”

Andamento
Apesar do diagnóstico interno não ter sido feito de forma completa, o clube já mantém conversas com grupos interessados e empresas especializadas em investimentos esportivos.
No entanto, a diretoria taubateana “não encontrou um parceiro disposto a avançar para a próxima etapa do projeto”. A avaliação interna é de que investidores de maior porte exigem um diagnóstico completo da instituição antes de assumir compromissos financeiros significativos.
Em relação ao perfil dos investidores, Guilherme Lipi afirmou que não há preferência formal por grupos regionais, nacionais ou internacionais. No entanto, ele reconheceu que investidores da própria região tendem a ter maior identificação com o clube e com a cidade.
“Lógico que um investidor regional terá uma identificação muito maior com o clube e com a própria cidade. Não existe nenhuma restrição nesse sentido. Acredito que há possibilidade de surgirem investidores regionais, nacionais ou até internacionais.
Também podemos ter uma sociedade anônima com vários cotistas, regida por um conselho de sócios. Existem diversas possibilidades que podem ser estudadas.”
Prazos
Em entrevista à CBN Vale, em outubro do ano passado, o presidente do EC Taubaté, Vitor Rodolfo, projetou a possibilidade de o clube se transformar em SAF ainda no segundo semestre deste ano. No entanto, Lipi evitou estabelecer prazos para a conclusão do processo e reforçou que o foco é encontrar o parceiro adequado.
“Lógico que temos interesse que isso aconteça o quanto antes e vamos trabalhar para que aconteça o mais rápido possível. Mas prefiro não estabelecer um prazo. Se conseguirmos encontrar esse investidor, as coisas podem andar rapidamente. Por enquanto, ainda não encontramos esse parceiro.
Temos conversado com muitos interessados e também com escritórios especializados, mas ainda não surgiu um investidor que nos permita acelerar o processo. Por isso, precisamos conduzir tudo com muita serenidade.”
Vale lembrar que, após a definição de um investidor, o projeto de SAF precisará ser aprovado pelo Conselho Deliberativo do clube. Posteriormente, o processo ainda deverá passar por uma Assembleia Geral dos associados, responsáveis pela decisão final sobre a mudança do modelo de gestão.
Lipi trabalhou no EC Taubaté entre 2023 e 2024. Nesta passagem anterior, participou das operações do futebol e também das áreas administrativa, jurídica e de infraestrutura do clube. Além da SAF, o novo CEO será responsável pela captação de recursos, gestão administrativa e pelo planejamento da temporada de 2027 do Burro da Central.
