Urna eletrônica completa 30 anos e tem ligação com São José dos Campos

urna eletrônica utilizada nas eleições de 200 e o pesquisador Toné, do Inpe
Imagens: Ricardo Miguel | Urna eletrônica usana em 200 e o pesquisador ‘Toné’

A urna eletrônica completa 30 anos nesta quarta-feira (13) como um dos principais símbolos da democracia brasileira e da modernização das eleições no país. O equipamento mudou a forma de votar e acelerou a apuração dos resultados em todo o território nacional.

O desenvolvimento da urna eletrônica tem ligação direta com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos. Nesse contexto, pesquisadores da cidade participaram da criação do sistema, que hoje já atende mais de 150 milhões de eleitores e chega à 16ª utilização em eleições gerais em 2026.

Em entrevista, o pesquisador do INPE Antônio Ésio Salgado, conhecido como “Toné”, relembrou os desafios do projeto. Segundo ele, a dimensão do trabalho só ficou clara depois das primeiras eleições com o sistema, realizadas em 1996.

“Durante o desenvolvimento, a gente estava focado na execução técnica. Por isso, a percepção do impacto veio apenas depois do uso em uma eleição”, afirmou.

Desafios no desenvolvimento

Toné explicou que a equipe precisou criar um equipamento compacto, resistente e confiável. Além disso, o sistema precisava funcionar por longos períodos sem energia elétrica e, ao mesmo tempo, suportar uso intenso e situações adversas no dia da votação.

De acordo com o pesquisador, a experiência prévia com sistemas eletrônicos mais complexos, como os usados em satélites, contribuiu diretamente para o desenvolvimento da tecnologia aplicada às urnas.

Ataques e debate sobre segurança

Ao longo dos anos, a urna eletrônica passou a receber críticas e questionamentos sobre segurança e confiabilidade. Nesse cenário, Toné afirma que parte desses debates contribui para o aprimoramento técnico do sistema.

Por outro lado, ele destaca que algumas críticas surgem sem conhecimento completo do funcionamento da estrutura eleitoral brasileira.

“Quando há conhecimento técnico, isso ajuda a melhorar o sistema. Porém, quando não há, o debate pode gerar interpretações incorretas sobre as barreiras de segurança já existentes”, afirmou.

Além disso, o pesquisador comentou a discussão sobre o voto impresso. Para ele, a proposta representaria um retrocesso, principalmente por aumentar a complexidade da contagem manual e o risco de erros no processo.

Participação de pesquisadores de São José dos Campos

Toné relembrou ainda que a criação da urna eletrônica resultou de uma articulação nacional envolvendo diferentes instituições. Na época, o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Velloso, formou uma comissão com especialistas de várias áreas e órgãos públicos.

Nesse processo, a equipe reuniu militares, técnicos do Ministério das Comunicações, magistrados e pesquisadores do INPE e de instituições ligadas a São José dos Campos. Eles foram convidados por causa da experiência em tecnologia e sistemas eletrônicos.

Segundo ele, os pesquisadores participaram primeiro da definição de requisitos técnicos. Em seguida, eles ajudaram no desenvolvimento do chamado “coletor eletrônico de votos”, que deu origem à urna eletrônica.

Além de Toné, integraram o projeto Paulo Nakaya e Mauro Hashioka, do INPE, além de Oswaldo Catsumi, do Instituto de Estudos Avançados (IEAv), ligado à Aeronáutica, e Giuseppe Janino. Todos atuaram sob coordenação de Paulo Camarão.

Evolução do sistema eleitoral

O pesquisador reforça que a urna eletrônica representa apenas uma parte de um sistema mais amplo. Esse sistema inclui cadastro de eleitores, transmissão e totalização dos votos.

Além disso, ele afirma que o modelo passa por atualizações constantes e recebe testes periódicos de segurança. Dessa forma, o processo busca acompanhar a evolução tecnológica e aumentar a transparência.

Por fim, ele destaca que o sistema eleitoral brasileiro se adaptou ao uso de ferramentas digitais em diferentes áreas, o que também influencia o aprimoramento das eleições.

Em 2026, a urna eletrônica será utilizada pela 16ª vez em eleições gerais no Brasil. Mais de 150 milhões de eleitores devem comparecer às urnas em outubro para escolher presidente, governadores, senadores e deputados.