
A Sexta-feira Santa não é um evento isolado, mas parte do Tríduo Pascal, explicou o padre Júlio Lancellotti em entrevista nesta sexta-feira (3), para o CBN Na Rede. Segundo ele, a data só faz sentido dentro desse ciclo que marca a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.
À frente da paróquia de São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo, o sacerdote fez questão de recordar que, o Tríduo Pascal começa na Quinta-feira Santa, com a missa da Ceia do Senhor e o ritual do lava-pés. Em seguida, passa pela Sexta-feira Santa, com a celebração da Paixão, e termina na Vigília Pascal, no sábado à noite.
Tríduo Pascal marca passagem da morte para a vida
“O Tríduo Pascal começa na quinta-feira e só termina no sábado à noite. A grande questão da Páscoa é a passagem”, afirmou o padre.
Ele destacou que esse período simboliza transformação. “É sair da morte para a vida, de toda forma de escravização para a liberdade”, disse. Além disso, reforçou que a celebração lembra a libertação do pecado, da injustiça e de tudo que destrói a vida.
Segundo o religioso, Jesus é visto como aquele que conduz essa mudança. “Ele nos liberta fazendo essa passagem conosco”, explicou.
Mensagem central é serviço ao próximo
Durante a entrevista, o padre também ressaltou o ensinamento do lava-pés, realizado na Quinta-feira Santa. Para ele, o gesto resume a essência da fé cristã.
“Jesus disse: ‘vocês entenderam o que eu fiz? Então façam uns com os outros’”, afirmou.
De acordo com o padre, a mensagem é clara:
- colocar o outro no centro;
- servir, em vez de buscar ser servido;
- olhar para os mais esquecidos.
“Isto é, sejam servidores uns dos outros. Estejam a serviço dos outros”, completou.
Ele ainda destacou que a Páscoa convida à mudança de atitudes no dia a dia. “Saímos do individualismo para o comunitário, do que rejeita para o que acolhe”, disse.
Convite inclui os mais esquecidos
Outro ponto destacado foi o convite amplo da fé cristã. Segundo o padre, a celebração da Páscoa deve incluir todos, principalmente os mais vulneráveis.
“Para esta mesa devem ser convidados todos, especialmente os abandonados e esquecidos”, afirmou.
Ele citou ensinamentos do Evangelho para reforçar essa ideia. “Chamem aqueles que estão nas ruas, nas encruzilhadas. Encham a casa”, explicou.
Para o padre, esse é o sentido da Eucaristia, o pão partilhado. “O desafio é eucaristizar a vida, tornar a partilha algo concreto no cotidiano”, concluiu.