
O mercado imobiliário da Região Metropolitana do Vale do Paraíba (RMVale) iniciou 2026 com comportamento distinto entre os segmentos de venda e locação de imóveis residenciais usados.
De acordo com a Pesquisa CRECISP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) referente ao mês de janeiro, as vendas apresentaram crescimento de 5,08%, enquanto as locações registraram retração de 43,31%.
O levantamento foi realizado nos 39 municípios da região e contou com a participação de 11.320 corretores de imóveis e 1.587 imobiliárias, oferecendo um panorama do mercado regional no início do ano.
Vendas de imóveis em alta
Segundo a pesquisa, o desempenho positivo das vendas está relacionado à consolidação econômica de municípios como São José dos Campos, Taubaté e Jacareí, além da atratividade das cidades do Litoral Norte e da Serra da Mantiqueira. Fatores como estabilidade do emprego nos setores industrial e tecnológico e a busca por moradia definitiva contribuíram para o aumento das aquisições, especialmente entre famílias que deixaram o aluguel.
Os apartamentos representaram 53% das vendas realizadas em janeiro, enquanto as casas responderam por 47%. As regiões nobres concentraram 53,8% das negociações, seguidas pelas demais regiões (42,3%) e áreas centrais (3,8%).
Em relação aos valores, 40,9% das transações ocorreram em imóveis acima de R$ 501 mil. A faixa entre R$ 201 mil e R$ 300 mil respondeu por 36,4% das vendas, indicando movimentação tanto no médio quanto no alto padrão.
A negociação direta com o proprietário foi a principal forma de pagamento, representando 48% das vendas. O financiamento pela CAIXA respondeu por 40%, enquanto as compras à vista corresponderam a 8%, reforçando a importância do crédito imobiliário.
Os imóveis com dois dormitórios foram maioria, representando 60% das casas e 71,4% dos apartamentos vendidos. No caso das casas, as áreas mais comuns variaram entre 51 m² e 100 m². Já entre os apartamentos, 57,1% tinham até 50 m² de área útil.
Locação
No segmento de locação, a pesquisa apontou retração expressiva de 43,31% em janeiro. As casas corresponderam a 63% dos contratos, enquanto os apartamentos ficaram com 37%. A maior parte das locações ocorreu fora das áreas centrais e nobres, com 54,1% concentradas em demais regiões.
Os valores de aluguel mais praticados ficaram entre R$ 2.001 e R$ 3.000, faixa que respondeu por 30,6% dos contratos, seguida pelos imóveis com aluguel entre R$ 1.001 e R$ 1.500 (27,8%).
Quanto às garantias locatícias, o depósito caução foi a modalidade mais utilizada (44,4%), seguido pelo seguro fiança (38,9%). O uso de fiador representou apenas 8,3% dos contratos, indicando mudança no perfil das garantias adotadas.
Assim como nas vendas, os imóveis de dois dormitórios predominaram nas locações, correspondendo a 46,2% das casas e 83,3% dos apartamentos alugados.

Mercado regional diversificado
A diversidade econômica da região, com presença da indústria aeronáutica, turismo, comércio e serviços, contribui para um mercado imobiliário dinâmico e segmentado.
De acordo com o CRECISP, diante de um cenário marcado por negociações diretas em quase metade das vendas e mudanças nas garantias locatícias, a atuação de corretores de imóveis regularmente inscritos permanece essencial para garantir segurança jurídica, avaliação adequada e equilíbrio nas transações.
O Vale do Paraíba inicia 2026 com sinais de fortalecimento no mercado de vendas e reorganização no segmento de locações, mantendo a demanda concentrada em imóveis de dois dormitórios, bairros consolidados e no uso do crédito como principal meio de aquisição.
