
Uma tentativa de homicídio registrada em agosto de 2025, em São José dos Campos, expôs a continuidade de um conflito violento entre grupos rivais da zona leste da cidade. A vítima, identificada como João Vitor Mendes Barbosa, foi baleada ao sair de uma festa no condomínio Fatto Acqua, na Vila Industrial, e sobreviveu após ser socorrido consciente ao pronto-socorro.
O crime ocorreu por volta das 20h57 do dia 15 de agosto, na Rua Charles Diamond. Segundo a polícia, João Vitor foi atingido por disparos no queixo, no pulso e na coxa. No local, a perícia encontrou estojos de munição de calibre 32, projéteis, um dente da vítima e um celular.
Em depoimento no hospital, a vítima de 22 anos contou que, ao deixar o salão de festas e caminhar até o carro, percebeu um homem de blusa preta com capuz que aparentava aguardá-lo. O suspeito sacou uma arma e correu em sua direção. João Vitor tentou fugir, mas foi baleado e atingido novamente já caído no chão. Ele afirmou que o ataque teve intenção de execução, descartando tentativa de roubo.
Conflito entre os grupos
As investigações apontam que o atentado está diretamente ligado a uma disputa violenta entre dois grupos da zona leste, que se arrasta desde 2022. O estopim do conflito teria ocorrido em julho daquele ano, após uma discussão em um ponto conhecido como “fluxo”, envolvendo Igor Escobar — amigo de João Vitor — e integrantes do grupo rival por causa de uma dívida de R$ 100.
A briga terminou em tiroteio, resultando na morte de Gabriel Roberti e ferimentos em Gabriela, namorada de Igor. Na ocasião, Igor foi preso em flagrante pela morte de Gabriel, enquanto Eduardo Yano, conhecido como “Japa”, foi apontado como autor dos disparos contra Gabriela. As armas utilizadas teriam pertencido a Guilherme “Gui Costa” e Rafael Noronha.
Meses depois, em setembro de 2022, João Vitor sofreu a primeira tentativa de homicídio, ao ser baleado na virilha em frente à própria casa. Segundo a polícia, o ataque foi uma represália pela morte de Gabriel Roberti. A vítima reconheceu Gui Costa como autor dos disparos e como dono da arma usada por “Japa”.
A investigação levou à prisão de outros envolvidos e à apreensão de um adolescente, mas Gui Costa não foi localizado. Em 2023, novos episódios de violência ocorreram, incluindo disparos contra a casa de “Japa”, que sequer foram registrados oficialmente, segundo a polícia, por medo ou tentativa de resolver os conflitos à margem da Justiça.
A escalada culminou na morte de Igor Escobar, em novembro de 2023, atingido por três tiros. A motocicleta usada no crime foi encontrada na casa de um suspeito, e os autores foram identificados como integrantes do grupo rival.
Prisões recentes
Diante do histórico de violência, o Ministério Público chegou a pedir a prisão preventiva de alguns suspeitos. Inicialmente, um deles, conhecido como “Ricardinho”, recebeu liberdade provisória por decisão judicial. No entanto, ele voltou a ser preso posteriormente por tráfico de drogas, o que levou a uma nova representação pela prisão preventiva, concedida recentemente. Já Eduardo Yano, o “Japa”, foi preso no final do ano passado.