
O pagamento do 13º salário deve impulsionar, mais uma vez, o consumo fora do lar e elevar o faturamento de bares e restaurantes no Vale do Paraíba. A expectativa é de um crescimento mínimo de 10% nas vendas de fim de ano, segundo projeção da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).
Em 2024, a injeção econômica estimada pelo Dieese foi de R$ 321,4 bilhões — montante que deve ser superado este ano devido ao reajuste do salário mínimo para R$ 1.518 e ao aumento no número de trabalhadores formais, com mais de 1,5 milhão de vagas criadas até agosto, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego.
Para o presidente do Sinhores (Sindicato Patronal dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares), Antonio Ferreira Junior, a combinação de renda extra e alta sazonal faz de novembro e dezembro o período mais estratégico para o setor.
“O 13º salário tem impacto direto no consumo fora do lar. As pessoas saem mais, fazem confraternizações e utilizam serviços de alimentação e lazer. No Vale do Paraíba, esse movimento é ainda mais forte porque temos uma base ampla de trabalhadores formais e um comércio muito ativo”, afirma.
Setor se prepara para aumento de fluxo
Com a expectativa de aquecimento, bares e restaurantes da região anteciparam contratações temporárias, ampliaram horários e ajustaram cardápios para atender à demanda intensificada pelas confraternizações corporativas e encontros sociais. Segundo o Sinhores, muitos estabelecimentos reforçaram estoques para evitar gargalos e garantir qualidade no atendimento.
“A preparação começa cedo”, diz Ferreira Junior. “Os estabelecimentos estão contratando mais, treinando equipes e adaptando seus serviços. A meta é absorver o aumento de movimento sem perder qualidade, porque o fim do ano representa uma fatia relevante do faturamento anual.”
Apesar das perspectivas positivas, o setor enfrenta desafios — especialmente a escassez de mão de obra qualificada, um problema recorrente no Vale.
“A demanda cresce, mas a formação profissional não acompanha na mesma velocidade. Isso pressiona contratações e aumenta custos operacionais, mesmo com faturamento maior”, observa o presidente.
Regiões mais aquecidas
O Sinhores aponta que o impacto do 13º salário é mais forte em bairros e regiões de classe média, onde a propensão ao gasto imediato é maior. Estabelecimentos localizados em corredores gastronômicos e centros comerciais de São José dos Campos, Taubaté e Jacareí devem registrar o maior fluxo entre o início de dezembro e a semana do Natal.
Para Ferreira Junior, o desempenho reforça o papel estratégico do setor no dinamismo econômico regional.
“A alimentação fora do lar é um dos motores do comércio local. Quando a renda sobe, o reflexo é imediato. Este fim de ano deve ser positivo — e isso movimenta empregos, abastecimento, serviços e toda a cadeia produtiva”, conclui.
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