Entre pódios e manobras inéditas, joseense Rafael Tomé avalia com ‘satisfação’ sua temporada de estreia no STU National

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O skatista Rafael Tomé encerrou a temporada do STU National na quarta colocação do ranking geral, com 10.258 pontos. Em entrevista ao programa CBN Vale Esportes desta terça-feira (2), o joseense de 19 anos afirmou que sua primeira participação no principal circuito de skate park do Brasil foi marcada por pódios, quedas fortes e pela execução de manobras inéditas no país.

A etapa de Criciúma (Santa Catarina), que abriu o circuito, ficou entre as preferidas do skatista. Tomé chegou para a primeira fase sem tempo de aquecimento, já que sua bateria foi antecipada. Mesmo lidando com a pressão inesperada, ele terminou a etapa na terceira colocação.

“Acabei chegando na primeira fase sem aquecer, porque adiantaram a fase. Então, acho que foi a etapa mais emocionante. Foi aquela em que tive que chegar no susto, mas consegui passar para a final. Foi minha primeira final e fiz pódio. A etapa de Criciúma foi a que eu mais gostei, porque foi a mais emocionante”, contou o skatista.

Em Florianópolis (Santa Catarina), o cenário foi diferente. O joseense avançou até a semifinal, mas numa queda, sofreu uma pancada forte na cabeça. Mesmo abalado e diagnosticado com confusão mental, Rafael insistiu em completar sua última volta, terminando a etapa na sétima colocação.

“Nenhum dos médicos queria me deixar andar, mas eu falei: ‘os caras me passaram, vou ter que andar’. Estava meio tonto, mas fui. Cheguei na última manobra e acabei caindo por muito pouco”, disse.

A recuperação emocional e técnica veio na etapa seguinte, em Curitiba (Paraná), considerada por ele a mais especial da temporada. Foi lá que Rafael terminou em segundo lugar e acertou uma manobra inédita no Brasil, o 540 Varial Flip, depois de duas quedas consecutivas na tentativa.

“Eu estava começando a me sentir bem confiante com essa manobra. Tomei dois tombos antes de acertar, mas acabei acertando. Fiquei na frente do Gui e, por pouco, não fiquei na frente do Japinha, o Augusto Aquil. Com certeza foi a melhor do ano.”

Na última etapa, disputada no fim de semana em Porto Seguro (Bahia), Rafael acabou caindo nas semifinais, terminando na décima posição, com 68,27 pontos. Ele contou que chegou à Bahia bem preparado e confiante, especialmente por ter acertado durante os treinos a manobra 540 Alley-oop Varial Flip, também inédita no Brasil. Porém, admitiu que a performance não se repetiu na fase decisiva da etapa.

“Eu treinei todos os dias, estava me sentindo bem com a pista. No começo achei bem difícil, porque é uma pista complicada de andar, mas depois consegui fazer uma linha boa. Na fase eliminatória fui bem, acertei a volta e passei em primeiro para a semifinal. Mas não sei o que aconteceu no aquecimento, não estava me sentindo tão bem e as manobras não estavam encaixando.”

Com pódios alcançados e momentos de destaque, Rafael avaliou com satisfação sua estreia no STU National. Ao ser convidado a atribuir uma nota para sua temporada, ele foi direto:

“Acho que dá para tirar um 8. Um 8 quase 9. As partes altas foram muito boas, e nas partes em que não consegui me destacar tanto eram momentos em que eu não estava me sentindo tão bem. Foi um ano incrível.”

Como forma de homanagem, Rafael Tomé disputou as semifinais da etapa de Porto Seguro com a camisa do São José EC. Foto: Reprodução

Cenário internacional

Além do circuito nacional, Tomé analisou sua performance global em 2025. Atualmente 38º do mundo, ele terminou em 17º lugar no Mundial de Roma.

“Não foi um resultado tão expressivo quanto o de Curitiba (segundo lugar). Mas, se comparar com meu ano de 2024, eu subi de 49º para 17º. Então, consegui subir bastante.”

A evolução deixou o skatista mais perto de uma vaga nas semifinais do Campeonato Mundial — etapa considerada essencial para disputar posições mais altas no ranking.

“Agora falta pouco para eu começar a subir um pouco mais no ranking, porque têm as etapas de Budapeste e China, que vão sair agora. Então, eu vou acabar subindo um pouco mais. Tenho certeza de que no ranking mundial também vamos começar a melhorar.”

A primeira grande oportunidade para avançar no ranking virá em março, com a etapa internacional de São Paulo, entre os dias 1º e 8. Representando a Itália, Rafael retomará os treinamentos em janeiro, na pista do Parque Candido Portinari, que receberá o evento.

“Tenho um sentimento bom para esse campeonato, que vai ser em casa, com chance de subir bem no ranking e com o objetivo de fazer a semifinal.”

Rumo ao pré-olímpico de 2028

Com a corrida olímpica para Los Angeles 2028 começando a ganhar forma, Tomé já sabe exatamente onde precisa chegar. Para integrar a chamada “bolha” do pré-olímpico, o atleta precisa figurar entre os 30 melhores do mundo.

“Isso é o mais importante: ficar entre os 30. Porque, entre os 30, eu já passo para o pré-olímpico. Então, esse é o maior objetivo: chegar entre os 30. E, fazendo a semifinal, já fico bem mais livre disso. Fazendo a semifinal, vou subir bem mais no ranking, vou ficar mais confortável, vou poder arriscar mais. Então, esse é o objetivo.”

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Próximos passos

Antes de pensar em 2026, Rafael Tomé disputará nos dias 13 e 14 o Vert Battle, em Fortaleza (Ceará), competição de pista vertical do Circuito Banco do Brasil.

A campanha deste ano garantiu ao joseense uma das oito vagas fixas do STU National em 2026, que terá cinco etapas entre março e julho. A projeção é que ele não participe do circuito internacional do STU, embora exista a possibilidade de convite caso apresente evolução significativa nas etapas nacionais.

O grande objetivo da temporada será o Mundial do Paraguai, em setembro, em Assunção — considerado o evento mais importante da modalidade.