Preço da cesta básica no Vale do Paraíba registra leve alta após sete quedas seguidas, aponta Nupes

Prateleira de supermercado. Cesta básica tem queda em 13 capitais em julho
(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/)

O custo da Cesta Básica Familiar no Vale do Paraíba registrou estabilidade em novembro de 2025, após sete meses consecutivos de redução nos preços médios. A informação é do Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais (Nupes) da Universidade de Taubaté, responsável pelo levantamento mensal em 16 supermercados de São José dos Campos, Taubaté, Caçapava e Campos do Jordão.

A cesta, composta por 44 itens de alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica, apresentou leve alta de 0,02% no mês — variação equivalente a R$ 0,69 — passando de R$ 2.836,46 em outubro para R$ 2.837,15 em novembro. No acumulado de 2025, a cesta básica registra alta de 0,43%.

Preço por cidade

Entre os quatro municípios pesquisados, dois registraram queda nos preços em novembro: Taubaté (-0,63%) e Caçapava (-0,23%). Já São José dos Campos (+0,24%) e Campos do Jordão (+0,69%) apresentaram aumento.

Campos do Jordão segue liderando com o maior custo da cesta básica (R$ 2.954,00), enquanto Taubaté mantém o menor valor (R$ 2.782,65). A diferença entre as duas cidades chega a R$ 171,35, o equivalente a 6,16%. Segundo o Nupes, a concorrência acirrada entre supermercados e os custos logísticos são fatores que explicam essa disparidade.

Cesta sobe menos que a inflação nacional em 12 meses

No período de novembro de 2024 a novembro de 2025, o custo da cesta básica no Vale do Paraíba subiu 2,05% — percentual inferior à variação do IPCA-15, que ficou em 4,50%. Em valores absolutos, a cesta ficou R$ 56,94 mais cara em um ano.

Entre as cidades, Taubaté (-0,54%) e Caçapava (-0,46%) tiveram queda no acumulado anual. Já Campos do Jordão apresentou a maior alta regional, com 5,54%.

Grupos de itens:

A análise por grupos mostra comportamento distinto entre os itens:

  • Alimentação: -0,03%

  • Higiene pessoal: +0,35%

  • Limpeza doméstica: +0,67%

Mesmo com a estabilidade geral, o Nupes destaca que o preço dos alimentos ainda se mantém elevado em relação ao patamar histórico, reforçando a percepção de custo alto por parte dos consumidores.

Altas e baixas nos alimentos

A variação dos alimentos em novembro foi marcada por movimentos opostos. A batata inglesa (+11,06%), a cebola (+10,90%) e o mamão formosa (+6,78%) lideraram as altas. Já tomate (-16,63%), abobrinha (-12,90%) e alho (-6,72%) tiveram as maiores quedas.

Principais altas — novembro 2025:

  • Batata inglesa: +11,06%

  • Cebola: +10,90%

  • Mamão formosa: +6,78%

  • Óleo de soja: +3,92%

  • Carne acém: +3,26%

Segundo o Nupes, as elevações foram influenciadas pelo período de entressafra, condições climáticas e movimentação internacional de commodities, como no caso do óleo de soja.

Principais quedas — novembro 2025:

  • Tomate: -16,63%

  • Abobrinha: -12,90%

  • Alho: -6,72%

  • Arroz: -6,14%

  • Leite UHT: -4,95%

A redução nesses itens é explicada principalmente pelo aumento da oferta devido à safra favorável e à normalização dos estoques.

Pressões e alívios mantêm cesta estável

O Nupes avalia que a estabilidade (+0,02%) registrada em novembro reflete um equilíbrio entre pressões e alívios no orçamento familiar. Enquanto alguns itens essenciais subiram de forma significativa, outros registraram quedas importantes, impedindo que a cesta tivesse aumento mais expressivo.

Apesar disso, os pesquisadores alertam que os núcleos de inflação permanecem ativos, exigindo monitoramento contínuo do poder de compra das famílias da região.