Morador de casa que explodiu na capital paulista havia sido investigado por soltar balão com fogos em São José dos Campos

balão
Foto: Reprodução

O homem apontado como morador da casa que explodiu na noite de quinta-feira (13), no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo, já havia sido investigado pela Polícia Civil há 14 anos, em São José dos Campos, por envolvimento com balões contendo fogos de artifício.

Trata-se de Adir de Oliveira Mariano, atualmente com 46 anos, que teria armazenado irregularmente grande quantidade de fogos de artifício no imóvel da Rua Francisco Bueno, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP)

A ligação de Adir com artefatos explosivos e balões não é recente. Em 2011, ele foi detido junto a outras cinco pessoas enquanto corria atrás de um balão que havia caído em São José dos Campos.

Um dos envolvidos usava camiseta de um grupo de baloeiros, e a polícia suspeitava que eles faziam parte de uma organização dedicada à produção e soltura dos balões, que representam risco de incêndio em áreas urbanas e de mata.

Apesar das suspeitas, o grupo — incluindo Adir — negou participação direta no balão encontrado, alegando apenas ter “visto e seguido” a peça. Eles acabaram absolvidos em 2015 por falta de provas de associação criminosa ou soltura dos artefatos. No Brasil, soltar balões é crime ambiental, com pena prevista de 1 a 3 anos de detenção, além de multa.

Uma postagem feita por Adir em 2017 nas redes sociais também reforça o interesse dele na prática, ao mencionar de forma romântica o “sentimento” envolvido na produção de balão — conteúdo que policiais interpretam como referência direta à atividade ilegal.

Explosão no Tatuapé

A explosão ocorreu por volta das 19h45. Imagens de câmeras de segurança mostram o clarão seguido de uma nuvem de fumaça e fogos de artifício estourando no alto. O Corpo de Bombeiros enviou oito viaturas ao local.

O impacto destruiu completamente o imóvel e deixou danos em um raio de três quarteirões, segundo a Defesa Civil. Ao menos 23 casas foram interditadas, e moradores tiveram que deixar suas residências. Vidros de janelas de prédios estouraram, e veículos estacionados foram atingidos pelo deslocamento de ar

As autoridades trabalham com a hipótese de que esses artefatos tenham provocado a explosão que deixou uma pessoa morta, dez feridas e destruiu totalmente a residência, além de danificar diversas casas e veículos da região.

A Polícia Técnico-Científica analisa o corpo encontrado carbonizado dentro do imóvel. A suspeita é de que seja o próprio Adir, mas o resultado oficial do IML ainda não foi concluído. A esposa dele não estava na residência no momento da explosão porque havia ido ao shopping.

Foto: Arquivo Pessoal

Investigação e versão da família

O irmão de Adir, Alessandro de Oliveira Mariano, aparece como inquilino do imóvel, mas afirma não morar mais ali há anos. Sua advogada diz que ele não tinha conhecimento de que Adir estava vivendo na casa. Os dois não se falam há sete anos. A família aguarda confirmação oficial sobre a identidade do corpo encontrado na residência.

Enquanto isso, Adir é tratado como investigado no inquérito que apura as responsabilidades pela explosão, pela possível fabricação e armazenamento clandestino de fogos e pela suspeita de ligação com atividades de baloeiros.

As autoridades seguem apurando se o local funcionava como depósito clandestino e se havia produção de artefatos destinados a balões — mesma atividade pela qual Adir já havia sido alvo de investigação anos antes.

O caso está registrado no 30º Distrito Policial (Tatuapé) como explosão, crime ambiental e lesão corporal.