
Fundado em 2020, o Pinda Ferroviária vive o momento mais especial de sua história no cenário do futebol feminino. A conquista da Taça Paulistana, no último domingo (9), coroou um trabalho que, segundo o diretor Marcos Derrico, tem sido construído com paciência e dedicação ao longo dos últimos cinco anos.
Em entrevista ao programa CBN Vale Esportes desta terça-feira (11), Derrico definiu o projeto como um “trabalho de formiguinha”, sustentado principalmente pelo apoio da Prefeitura de Pindamonhangaba e pela persistência da diretoria diante das dificuldades financeiras.
“Vem agregar muito ao que a gente vem implantando, semeando. É um trabalho de formiguinha, né? Você trabalha com um mantenedor, que é a Prefeitura, então os investimentos são sempre ponderados. A gente não tem um patrocinador master, mas isso mostra que estamos no caminho certo e que, se Deus quiser, vamos galgar voos maiores”, afirmou.
Sem um patrocinador máster, o Pinda tem se apoiado na força da própria gestão e no comprometimento das atletas. Para Derrico, o título da Taça Paulistana é o mais importante da história do projeto e confirma que o clube está no rumo certo.
“Fazia três anos que estávamos batendo na trave, perdendo finais. Conquistamos um título em julho e agora a Taça Paulistana. Acreditamos que o caminho está sendo trilhado. Podemos dizer que hoje é o título de maior expressão”, completou.
Mais do que os resultados, o dirigente valoriza a capacidade do Pinda de se manter ativo. Ele lembra que, enquanto clubes tradicionais como Portuguesa, SKA Brasil e São Bernardo encerraram suas atividades no futebol feminino, o Pinda conseguiu atravessar os anos e seguir crescendo.
“A nossa maior conquista é nos mantermos firmes, conseguindo, a cada ano, dar continuidade ao projeto. Em cinco anos de estrada, vimos clubes como Portuguesa, SKA Brasil e São Bernardo ficarem pelo caminho. Hoje, a grande vitória do Pinda é virar o ano e seguir com o clube ativo, buscando o alto rendimento e os títulos dentro da nossa realidade.”
Campanha de superação até o título
Apesar da conquista invicta da Taça Paulistana (oito vitórias e quatro empates), Derrico afirma que a caminhada não foi fácil. Segundo ele, o Pinda começou a competição empatando várias partidas, enfrentando desfalques e lesões, mas ganhou força, cresceu em campo e passou a acreditar no título ao longo do torneio.
“Confesso que, no começo, assustou um pouco, porque empatamos bastante. Tivemos atletas saindo, lesões… mas lá pela quinta ou sexta rodada o time começou a crescer, tomar corpo, e passamos a vislumbrar o título. Na última rodada, contra o São Bento, tínhamos seis atletas penduradas. Poupamos cinco com amarelo e uma suspensa para garantir a final em casa, que era o nosso maior objetivo.”

Virando a chave para a Copa Paulista
Sem tempo para descanso, o Pinda já direciona o foco para a Copa Paulista, que começa ainda em novembro e será disputada em formato eliminatório e jogo único. O torneio reunirá as quatro melhores campanhas da Taça Paulistana (Pinda, Mauaense, São José e Centro Olímpico), além das quatro equipes que não avançaram às semifinais do Campeonato Paulista.
“Comemoramos, mas já mudamos o foco. É outra competição, com times que vêm do Paulista. Vamos enfrentar equipes fortes, e o mando de campo será na casa delas. A logística é difícil, mas estamos prontos”, afirmou Derrico, destacando que os jogos serão eliminatórios.
Na primeira eliminatória, o Pinda enfrentará o Realidade Jovem, de São José do Rio Preto, adversário recorrente em diversas competições. Neste ano, o Pinda foi eliminado pelo time ‘rio-pretense’ nos pênaltis da Copa do Brasil, mas havia vencido o duelo entre as equipes na Série A3 do Campeonato Brasileiro. Além da dificuldade técnica, Derrico destacou o desgaste da viagem até São José do Rio Preto, que pode durar cerca de 12 horas.
“São jogos sempre equilibrados. Na Copa do Brasil fomos eliminados por elas nos pênaltis, mas no Brasileiro vencemos. Então não dá para subestimar”
Ele também valorizou a presença das três equipes do Vale do Paraíba na Copa Paulista — Pinda, São José e Taubaté —, acreditando que o fortalecimento regional reflete o crescimento do futebol feminino no Estado.
“O Vale é muito forte. O Taubaté tem longa estrada, o São José tem títulos internacionais. Quanto mais equipes, mais se fortalece o futebol feminino. A gente se espelha neles e fica contente com o crescimento da modalidade na região.”
Além do título, a Copa Paulista também será decisiva para o futuro do projeto, já que o desempenho definirá se o Pinda jogará, em 2026, a Série A3 do Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil. Para garantir o ‘calendário completo’, a equipe precisa chegar, pelo menos, até a semifinal.

Planejamento e desafios financeiros do Pinda Ferroviária
Mesmo com boas perspectivas dentro de campo, o clube enfrenta limitações orçamentárias, já que é mantido pela Prefeitura de Pindamonhangaba. Isso torna o planejamento dependente dos repasses públicos. Derrico revelou que, em julho, o clube quase suspendeu as atividades por dificuldades financeiras, mas a decisão de seguir adiante acabou fortalecendo o grupo e foi fundamental para a conquista da Taça Paulistana.
“Nosso mantenedor é a Prefeitura, então seguimos o termômetro de lá. É um ano de muita dificuldade, e em julho quase paramos o projeto. Mas decidimos continuar, e a dificuldade nos fortaleceu. Isso nos deu força para conquistar o título.”
Apesar das incertezas sobre o orçamento, o Pinda seguirá com o projeto do futebol feminino em 2026, mas o planejamento ainda depende da liberação da verba municipal, geralmente definida entre o final de dezembro e o início de janeiro.
“Segue sim, com toda certeza. O que define o planejamento é o investimento. Precisamos saber qual será o nosso budget para trilhar o caminho certo”, explicou.
Sem jogos Abertos
O Pinda Ferroviária, contudo, não participará dos Jogos Abertos do Interior, em dezembro, em Ribeirão Preto, já que a Prefeitura optou por não enviar suas delegações esportivas devido a problemas orçamentários.
Assim, a Copa Paulista será a última competição oficial da equipe neste ano. Caso o time avance, a temporada se estenderá por mais uma semana; se for eliminado, as atividades se encerram e serão retomadas em 2026.