
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se reuniu neste domingo (26) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia. A reunião aconteceu durante a participação dos dois líderes na 47ª Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). Durante a semana, os dois governos trataram o encontro com cautela.
Em postagem no Twitter, Lula disse que a reunião foi “ótima” e acrescentou que as negociações continuam “imediatamente” para buscar soluções para a tarifa de 50% às importações brasileiras e também para sanções contra autoridades impostas por Trump citando o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Brasil.
Foi o primeiro encontro formal entre os dois, que mantinham uma relação distante desde o início do governo do norte-americano em janeiro deste ano. A relação entre Lula e Trump se agravou em julho, quando Washington anunciou o tarifaço de 50% contra o Brasil.
Mas o diálogo melhorou a partir de setembro, quando ambos tiveram um breve contato durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o que abriu as negociações para o encontro bilateral. Na ocasião, o americano afirmou que houve “química excelente” com o brasileiro e indicou estar disposto a fazer uma reunião bilateral.
“Tive uma ótima reunião com o presidente Trump na tarde deste domingo, na Malásia. Discutimos de forma franca e construtiva a agenda comercial e econômica bilateral. Acreditamos que nossas equipes vão se reunir imediatamente para avançar na busca de soluções para as tarifas e as sanções contra as autoridades brasileiras”, afirmou Lula após o encontro.
Nas primeiras declarações após o encontro, o chanceler brasileiro Mauro Vieira detalhou que as conversas continuam ainda neste domingo entre as duas equipes para uma possível suspensão da tarifa de 50%.
“Os dois presidentes tiveram uma conversa muito descontraída, alegre até. O presidente Trump declarou admirar o perfil da carreira política do presidente Lula, já tendo sido duas vezes presidente da República, tendo sido perseguido no Brasil e tendo se recuperado, provado a sua inocência e voltado a se apresentar e vitoriosamente conquistado o seu terceiro mandato”, disse Vieira.
Depois do encontro, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Rosa, disse que a questão de Bolsonaro não foi discutida diretamente, mas que Lula abordou as sanções contra autoridades brasileiras.
O principal objetivo do encontro era tentar destravar o impasse comercial e reduzir as tensões criadas pelas sobretaxas impostas por Washington. Em setembro, Lula disse que esperava que a conversa fosse entre “dois seres humanos civilizados”, quando perguntado se temia constrangimentos como o que ocorreu no tenso encontro em Washington de Trump com o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky, em fevereiro.

Nesta segunda-feira (27), Lula faz 80 anos. Trump completou 79 anos em junho. A semelhança nas idades foi usada pelo brasileiro para quebrar gelo no encontro.
A viagem de Lula para o Sudeste Asiático, com passagem pela Indonésia e Malásia, faz parte de uma estratégia brasileira de diversificação de rotas comerciais, em busca de caminhos alternativos diante da deterioração nas relações com Washington.
A delegação brasileira inclui ministros de áreas estratégicas, como Alexandre Silveira (Minas e Energia), Carlos Fávaro (Agricultura), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) e Mauro Vieira (Relações Exteriores). Também acompanham Lula o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.