
O físico e pesquisador Ricardo Galvão (Rede-SP) confirmou que deixará a presidência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para assumir a vaga de suplente do deputado Guilherme Boulos (Psol-SP) na Câmara dos Deputados. A decisão, segundo ele, foi tomada em conjunto com a família, e após conversas com a ministra Luciana Santos, titular do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, que já havia articulado a transição no comando do órgão.
Galvão explicou que as tratativas sobre a mudança se intensificaram após o convite feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que Boulos assumisse a Secretaria-Geral da Presidência, no lugar de Márcio Macêdo. O cientista afirmou que também conversou com Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, que garantiu a ele tempo suficiente para exercer o mandato parlamentar, mesmo com a possibilidade de mudanças no ministério após a COP30, prevista para novembro, em Belém (PA).
“Convencer minha esposa demorou um pouco, mas chegamos a um acordo. Decidi aceitar, principalmente porque terei tempo hábil para contribuir com a discussão orçamentária e apoiar as instituições de pesquisa do país”, contou Galvão, em entrevista exclusiva à Rádio CBN Vale.
Prioridades na Câmara
Aos 77 anos, o pesquisador disse que pretende atuar na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, com foco no fortalecimento das universidades e centros de pesquisa. “Minha meta é participar da definição do orçamento de 2026 e garantir que a ciência tenha o espaço que merece na agenda pública”, afirmou.
Natural de Itajubá (MG), Galvão é engenheiro de telecomunicações pela UFF, mestre pela Unicamp e doutor em Física de Plasmas pelo MIT, nos Estados Unidos. Professor titular da USP, já presidiu o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, a Sociedade Brasileira de Física e integra a Academia Brasileira de Ciências.
Demitido por Bolsonaro
O nome do pesquisador ganhou destaque nacional em 2019, quando foi demitido do cargo de diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) após um embate público com o então presidente Jair Bolsonaro (PL), que contestou dados oficiais sobre o aumento do desmatamento na Amazônia. Na época, Galvão defendeu o trabalho técnico do Inpe e a autonomia da ciência brasileira — episódio que marcou sua trajetória e o projetou como símbolo da resistência à desinformação ambiental.
Bolsonaro foi condenado pelo STF à 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, enquanto Galvão, expulso do governo à época, se prepara para ocupar um dos assentos da Câmara dos Deputados.