
O Ministério Público de São Paulo (MPSP), abriu um inquérito para apurar pagamentos feitos pela Prefeitura ao cantor Davi Goulart, primo do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Rodrigo Goulart (PSD). O artista, que possui apenas sete ouvintes mensais no Spotify, recebeu cerca de R$ 880 mil por apresentações em quermesses e eventos da cidade, com cada show custando aproximadamente R$ 50 mil, com dispensa de licitação. A informação foi divulgada pelo portal g1.
Segundo reportagens, as contratações ocorreram em projetos financiados por emendas parlamentares do próprio secretário. Em 2023, Rodrigo Goulart destinou R$ 700 mil ao Circuito Cultural de Rua, programa que banca shows em festas de bairro. Nos meses seguintes, o cantor fechou três contratos que somaram R$ 425 mil. Entre 2023 e 2024, o secretário concentrou 47 emendas, ultrapassando R$ 3 milhões em eventos de artistas representados pela produtora do primo.
O prefeito Ricardo Nunes afirmou que não há impedimento legal para que parentes de secretários prestem serviços à administração pública, desde que todos os requisitos legais sejam cumpridos. No entanto, ele determinou uma apuração interna sobre o caso.
Também será objeto da investigação a produtora Fino Tom, representante do artista e responsável pela intermediação das contratações junto à Secretaria Municipal de Cultura.
O procedimento apura possível dispensa irregular de licitação, superfaturamento de cachês e eventual favorecimento decorrente de vínculo de parentesco, condutas que, se comprovadas, podem configurar ato de improbidade administrativa.
Os investigados foram notificados e terão o prazo de 20 dias para apresentar manifestação sobre os fatos apurados.
Foram requisitadas, dentre diversas diligências, cópias dos processos de contratação, pesquisas de vínculos entre os envolvidos e de valores de mercado, além da instauração de inquérito policial para apuração dos fatos em âmbito criminal.