Em Imperatriz (MA), quebradeiras de coco babaçu mantêm tradição em parceria com a Suzano

Em Imperatriz (MA), quebradeiras de coco babaçu mantêm tradição em parceria com a Suzano
As quebradeiras Zuleide Pereira de Sousa, Rosimar Pereira e Maria Célia Monteiro | Foto: Marcelo Rocha / CBN Vale

Em Imperatriz, no Maranhão, a tradição das quebradeiras de coco babaçu segue viva e se transforma em fonte de renda, empoderamento e preservação ambiental. Nas comunidades, como a de Petrolina, as mulheres trabalham desde cedo na extração do coco-babaçu, produzindo azeite, mesocarpo, carvão da casca, sabonetes artesanais, biojoias e peças de artesanato.

Além de gerar renda, essas atividades fortalecem a identidade cultural e a herança do saber tradicional, transmitido de mães para filhas há gerações.

A quebradeira Zuleide Pereira de Sousa mostra com orgulho a quebra do Babaçu | Foto: Letícia Keller

Com o apoio da Suzano, a Associação Barroquinas e o Projeto Pindowa estruturaram a cadeia produtiva local, atendendo atualmente 3.884 famílias em 29 associações, abrangendo três municípios. Produtos como o mesocarpo do babaçu, utilizado em mingaus e vitaminas, e o azeite artesanal, servem tanto para consumo local quanto para comercialização em feiras, restaurantes e plataformas online, chegando até a exportação.

Cooperativa e capacitação

A criação da Pindowa permitiu não apenas organizar a produção, mas também oferecer capacitação para jovens e mulheres, atraindo novas gerações para a atividade extrativista. Cursos de panificação, artesanato, sabonetes e processamento de óleo de babaçu e buriti incentivam a profissionalização. Hoje, cerca de 15 jovens participam ativamente dos cursos, aprendendo desde a coleta do coco até a comercialização final dos produtos.

Segundo Terezinha de Souza Cruz, quebradeira há décadas, o coco babaçu não é só renda, é herança e preservação ambiental. “Sou quebradeira de coco, filha de quebradeira de coco, a minha mãe criou dez filhos com a renda da queda do coco e meu pai trabalhando na roça. Eu aprendi a quebrar coco com dez anos e eu me orgulho de ser quebradeira de coco”.

A cooperativa também apoia a aposentadoria rural das quebradeiras, garantindo reconhecimento legal da profissão e direitos trabalhistas, além de incentivar mulheres a ocuparem espaços de liderança na comunidade.

Produtos artesanais feitos com o Babaçu | Foto: Marcelo Rocha / CBN Vale

Produtos e inovação

Além do azeite e do mesocarpo, a cooperativa desenvolveu sabonetes 100% de óleo de babaçu, biojoias, luminárias, cortinas, chaveiros e pulseiras de macramê. Novidades incluem sabonetes com óleo de buriti e cavão de babaçu, que agregam valor econômico à cadeia. Cada sabonete artesanal pode custar até R$ 75, refletindo a qualidade e a exclusividade do produto. A cooperativa mantém produção sob encomenda, priorizando venda em atacado e kits especiais, garantindo sustentabilidade financeira e preservando a valorização dos produtos.

Produtos artesanais feitos com o Babaçu e Açaí | Foto: Marcelo Rocha / CBN Vale

O registro da marca Pindowa consolidou a identidade da cooperativa, abrindo caminho para novos mercados. Parcerias estratégicas com grandes empresas estão em andamento para a aquisição do óleo de buriti, e instituições como Sebrae, Unicamp e Embrapa, contribuem para pesquisas, aperfeiçoamento de maquinário e desenvolvimento de novos produtos.

Parcerias e impacto comunitário

A Suzano foi a primeira parceira estrutural, fornecendo recursos, equipamentos e apoio logístico. A parceria possibilitou a criação de unidades produtivas, compra de veículos para transporte de insumos e produtos, e programas de compras institucionais. Hoje, o projeto integra ainda órgãos públicos, universidades e instituições de pesquisa, fortalecendo a agricultura extrativista sustentável e gerando oportunidades para mulheres e jovens.

O trabalho das quebradeiras de coco babaçu combina resistência cultural, inovação e empoderamento. Hoje, as comunidades não apenas preservam a floresta e a tradição, mas também desenvolvem produtos de alto valor econômico, ocupam espaços de liderança e projetam suas conquistas para além do Maranhão, mostrando que a cultura do babaçu é uma cadeia produtiva sustentável, inclusiva e inovadora.

O jornalista Marcelo Rocha, da Rádio CBN Vale 90,7 FM viajou para Imperatriz (MA) a convite da Suzano.