Lula e Trump devem avançar em negociações, diz Alckmin

Lula e Trump devem avançar em negociações, diz Alckmin
Foto: Marcelo Rocha / CBN Vale

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta segunda-feira (29), em entrevista exclusiva ao Jornal da CBN, em São José dos Campos, que um possível encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderá abrir espaço para avanços nas negociações comerciais entre os dois países.

Segundo Alckmin, os Estados Unidos têm déficit com quase todo o mundo, mas mantêm superávit com o Brasil, o Reino Unido e a Austrália. Ele destacou que setores como aviões da Embraer, celulose e minério de ferro já foram retirados do chamado tarifaço, e novas conquistas podem vir.

“Estamos otimistas, vamos fazer disso um ganha-ganha”, disse.

Relação Brasil x EUA

Alckmin ressaltou que a aproximação entre os presidentes pode favorecer ainda mais a indústria brasileira. Ele citou exemplos de empresas nacionais com presença nos EUA, como a WEG e a JBS, e defendeu que o comércio seja de mão dupla: exportar mais e também investir no mercado americano.

O vice-presidente também comentou sobre o interesse dos EUA em terras raras, minerais estratégicos presentes no subsolo brasileiro. Ele explicou que o país ainda precisa avançar em estudos geológicos, mas vê grande potencial para parcerias tecnológicas e exploração conjunta.

Tarifas e punições políticas

Sobre o tarifaço de Trump, Alckmin lembrou que medidas comerciais acabaram misturadas a punições políticas aplicadas pelo governo americano ao Brasil em anos anteriores. Ele afirmou, no entanto, que o diálogo é o caminho para superar essas barreiras.

“A abertura de conversas é fundamental. Os argumentos estão a favor do Brasil”, disse.

Enquanto as negociações não avançam, o governo brasileiro lançou medidas de mitigação para apoiar empresas afetadas pelas tarifas. Entre elas estão R$ 40 bilhões em crédito, postergação de tributos e estímulos para buscar novos mercados.

Taxa de juros e economia interna

Alckmin também abordou temas internos. Ele disse que a taxa básica de juros, hoje em 15%, encarece o crédito e atrapalha o crescimento, mas que o governo espera uma queda mais rápida da Selic devido à estabilização do dólar e da inflação. Sobre o déficit público, afirmou que a meta é zerar em 2024 e buscar superávit a partir de 2025.

União Europeia x Mercosul

O vice-presidente citou ainda o acordo entre União Europeia e Mercosul, que pode ser concluído até o fim do ano. Ele reconheceu resistências, especialmente de agricultores franceses, mas considera