
A Embraer apresentou nesta segunda-feira (18) ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) um documento em defesa da continuidade da tarifa zero para a importação de aeronaves e componentes da empresa. O posicionamento faz parte da investigação aberta pelo governo norte-americano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que avalia supostos atos e políticas do Brasil considerados discriminatórios ou prejudiciais ao comércio dos EUA.
Segundo a Embraer, a investigação não tem relação com suas operações, já que o setor de aviação civil brasileiro adota historicamente tarifa zero para aeronaves em transações internacionais. A companhia destacou que impor restrições tarifárias a seus produtos seria contrário aos interesses dos Estados Unidos.
A fabricante lembrou que mantém forte presença no mercado norte-americano, com 17 instalações, incluindo fábricas e centros de serviços em estados como Flórida, Arizona, Geórgia, Tennessee e Texas. Atualmente, a Embraer gera cerca de 12,5 mil empregos diretos e indiretos nos EUA, número que pode crescer em mais 5 mil postos até 2030 devido às compras planejadas de fornecedores locais.
Impacto econômico expressivo – Tarifa zero
A Embraer projetou que, sem tarifas adicionais, os EUA terão um superávit de aproximadamente US$ 8 bilhões no comércio com a Embraer entre 2025 e 2030. Além disso, a produção de jatos executivos em Melbourne, na Flórida, responde sozinha por mais de US$ 600 milhões em exportações anuais.
Nos céus norte-americanos, a relevância também é evidente. Mais de 2 mil aeronaves da marca operam em companhias como American Airlines, Delta, United e Alaska Airlines, transportando cerca de 100 milhões de passageiros por ano — o equivalente a 10% do tráfego aéreo dos EUA. O jato regional E175, por exemplo, é considerado essencial para rotas de menor porte e não concorre com nenhum avião produzido por fabricantes locais.
Setores de defesa e mobilidade
Além do setor comercial, a Embraer também coopera com a defesa dos EUA. Um acordo com a Northrop Grumman prevê a adaptação do cargueiro KC-390 para a Força Aérea americana, com potencial de ampliar os investimentos da empresa em solo norte-americano nos próximos anos.
Por fim, a Embraer reforçou que sua subsidiária Eve, sediada na Flórida e listada na Bolsa de Nova York, lidera projetos de mobilidade aérea urbana com aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical.
No documento enviado ao USTR, assinado pelo presidente Francisco Gomes Neto, a companhia pediu que a administração norte-americana reconheça os benefícios econômicos e estratégicos da Embraer para os Estados Unidos e, assim, evite a imposição de tarifas que possam comprometer essa parceria.