Dr. Guido Palomba critica excessos da psiquiatria e alerta sobre redes sociais

Dr. Guido Palomba critica excessos da psiquiatria e alerta sobre redes sociais
Foto: Reprodução / CBN Vale

Nesta semana, em 13 de agosto, o Brasil celebrou o Dia do Psiquiatra. Para marcar a data, o CBN Na Rede entrevistou o médico psiquiatra forense Guido Palomba, uma das maiores autoridades do país na área, que falou sobre o papel da psiquiatria forense na Justiça, a banalização de diagnósticos e os riscos do uso precoce das redes sociais.

Segundo Palomba, a psiquiatria forense atua diretamente no auxílio ao Judiciário, analisando casos em que há dúvida sobre a sanidade mental de uma pessoa envolvida em um processo. “O psiquiatra clínico quer tratar, já o forense quer avaliar para que a Justiça possa aplicar a medida correta, que pode ser pena ou internação em hospital de custódia”, explicou.

Ele destaca que, em crimes como feminicídios, essa avaliação é crucial para diferenciar um criminoso comum de alguém que agiu sob transtorno mental. “O papel do perito é instruir magistrados, promotores e advogados com base médica”, disse.

Críticas à psiquiatria atual

O médico, que é autor do livro A Decadência da Psiquiatria Ocidental, foi enfático ao afirmar que há uma banalização dos diagnósticos psiquiátricos, muitas vezes influenciada pela indústria farmacêutica.
“Hoje se prescreve remédio para dormir, acordar, se concentrar… A psiquiatria virou psicofarmacológica, atendendo ao marketing das indústrias”, criticou.

Palomba citou o exemplo do burnout e do TDAH, que, segundo ele, são frequentemente diagnosticados de forma errada. “Às vezes, a criança é apenas mal-educada, mas sai do consultório com diagnóstico e receita. É um erro grave”, afirmou.

Violência e compreensão da mente criminosa

Questionado sobre casos recentes de violência extrema, como o de um ex-jogador de basquete indiciado por tentativa de feminicídio após agredir a namorada com mais de 60 socos, o psiquiatra disse que compreender a mente criminosa exige separar transtornos reais de comportamentos puramente intencionais.

Ele lembrou que nem toda conduta violenta é fruto de doença mental e que a análise criteriosa é essencial para evitar injustiças.

Risco das redes sociais para jovens

Palomba também se posicionou contra o uso de redes sociais por menores de 16 anos. Para ele, o consumo excessivo de estímulos digitais prejudica o desenvolvimento emocional e a capacidade de percepção do mundo real.
“O adolescente fica preso a um único tipo de estímulo, perde a atenção ao que está à sua volta, não escuta o canto de um passarinho porque está focado apenas no celular”, alertou.

Preocupação com diagnósticos inflados

O psiquiatra fez um cálculo usando estatísticas oficiais e concluiu que, somando todas as taxas de transtornos mentais divulgadas, mais de 30% da população teria algum distúrbio. “Se você estiver com duas pessoas e achar que elas são normais, o louco é você. É um absurdo que mostra como o diagnóstico psiquiátrico está banalizado”, ironizou.

Para Palomba, a solução passa por formação mais crítica de novos profissionais e menos dependência da indústria farmacêutica. “Felizmente, vejo que os estudantes mais jovens estão atentos e não querem repetir os erros dessa geração perdida”, concluiu.

Confira a entrevista completa no Youtube da CBN Vale: